Um relatório do Laboratório Português de Ambientes de Trabalho Saudáveis revela que 38,3% dos profissionais em Portugal afirmam ser vítimas de assédio laboral, um aumento drástico face aos anos anteriores. O estudo alerta para o desinvestimento das empresas na saúde mental e para a elevada exaustão dos trabalhadores.
O relatório do Laboratório Português de Ambientes de Trabalho Saudáveis (Labpabs) revela que 38,3% dos profissionais em Portugal afirmam ser vítimas de assédio laboral, um valor que quase duplicou face a 2023. O estudo, que contou com a participação de 5.549 profissionais, alerta para um “sinal de vulnerabilidade” das organizações e para um desinvestimento na saúde mental.
A coordenadora do estudo, Tânia Gaspar, explica que os trabalhadores estão mais conscientes e rejeitam comportamentos abusivos, mas as empresas falham na gestão do bem-estar. O documento aponta para uma elevada frequência de exaustão, solidão e sintomas de “burnout”. Além disso, 77,4% dos participantes consideram que a sua remuneração é injusta, revelando um descompasso entre exigência e recompensa.
Os peritos destacam que o modelo de trabalho híbrido atua como fator de proteção, enquanto o regime presencial está ligado a piores indicadores de saúde. O relatório identifica as mulheres, os jovens e os profissionais com doenças crónicas como os grupos de maior risco, sublinhando a necessidade urgente de uma reorganização das lideranças e do respeito pelos períodos de descanso.
Redação | Fotografia: Tânia Gaspar (Labpabs)

