A Casa do Douro apelou à intervenção urgente do Governo após o cancelamento sucessivo de encomendas de uva na Região Demarcada do Douro. O setor enfrenta um desequilíbrio entre a oferta e a procura, agravado pela quebra no consumo global e pelo elevado volume de vinho em reserva.
A Casa do Douro manifestou esta semana uma preocupação profunda relativamente ao futuro imediato da vindima na Região Demarcada do Douro. Marinete Alves, representante do Conselho Regional da instituição, alertou para o cancelamento sistemático de encomendas de uva por parte das principais casas compradoras. A situação é descrita como crítica, uma vez que muitos viticultores se deparam com a recusa total de compra para uvas destinadas a vinhos de mesa, sendo-lhes apenas facultada a entrega de quantidades limitadas para a produção de Vinho do Porto, muitas vezes sem a definição prévia de preços.
Este cenário de excesso de oferta face a uma procura estagnada ou em declínio coloca em risco a viabilidade económica de centenas de explorações. A responsável sublinha que o investimento anual realizado pelos produtores na manutenção das vinhas poderá não ser recuperado, prevendo-se que parte considerável da colheita deste ano fique por colher nas videiras. As empresas do setor justificam esta retração com a acumulação de inventários elevados e com as dificuldades crescentes no escoamento de produto para os mercados internacionais, fatores que têm condicionado a capacidade de armazenamento das adegas e centros de vinificação regionais.
Face à gravidade da situação, a Casa do Douro exige que o Governo tome medidas urgentes. Entre as soluções propostas, destaca-se a necessidade de apoio financeiro para a destilação de uvas, de forma a garantir um valor mínimo por quilo que permita atenuar as perdas financeiras dos agricultores.

