Os antigos árbitros internacionais Duarte Gomes e Artur Soares Dias defenderam esta sexta-feira a criação de uma entidade externa e profissional para gerir a arbitragem em Portugal, considerando-o um “caminho inevitável” para garantir maior transparência e credibilidade. Numa intervenção no Portugal Football Summit, em Oeiras, ambos consideraram ainda que os árbitros portugueses são “mal pagos” para o nível de exigência e instabilidade da carreira.
“Acho que a criação desta entidade externa vai dar às pessoas uma sensação de maior transparência, porque vai retirá-la da Federação e logo da ideia de que a FPF (…) e os clubes influenciam negativamente [a arbitragem]”, defendeu Duarte Gomes. Artur Soares Dias concordou, acrescentando que o setor deve ser gerido de uma forma “empresarial”, com “clareza” nos procedimentos e responsabilidades.
A questão da remuneração foi outro tema forte. Soares Dias admitiu que 1.500 euros por jogo “é bem pago”, mas que um total de 30.000 euros anuais é “mal pago” se no ano seguinte o árbitro for despromovido e “não tiver o que fazer”. Duarte Gomes, atual Diretor Técnico Nacional para a arbitragem, reforçou a ideia: embora os árbitros de topo ganhem mais que a maioria dos jogadores da I e II Ligas, não são bem pagos quando se considera a “exposição, desgaste, mediatismo e até o impacto nas famílias”.
As fortes declarações dos dois antigos árbitros ganham particular relevo por ambos ocuparem atualmente cargos de direção na própria Federação Portuguesa de Futebol, sinalizando um debate interno sobre a necessidade de uma profunda reforma na estrutura da arbitragem nacional.
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