O relatório de uma seguradora internacional identifica uma “vulnerabilidade estrutural” europeia, caracterizada por património urbano que retém calor e uma baixa penetração de sistemas de arrefecimento, situando-se nos 19% contra os 90% dos Estados Unidos.
A análise sublinha que o impacto económico do stress térmico não é linear, existindo um limiar crítico nos 30 graus Celsius. A partir desta marca, a produtividade horária recua cerca de 1,12 euros por cada grau adicional na faixa até aos 35 graus. Simultaneamente, o consumo energético sobe 1,2% por cada grau de subida, agravando os custos operacionais das empresas.
No plano macroeconómico, o calor extremo penaliza as receitas fiscais e degrada os saldos orçamentais em cerca de 0,5% do Produto Interno Bruto. Países como França, Itália e Espanha apresentam exposições elevadas, com riscos de incumprimento das metas do défice. Em Portugal, o cenário é de retração, com uma quebra de 1,9% no consumo e de 6% no investimento, refletindo uma redução do retorno esperado sobre o capital.
O estudo aborda ainda a lacuna de proteção no setor segurador. Em 2022, as perdas climáticas na Europa somaram 46 mil milhões de euros, mas apenas uma pequena fração foi coberta. Isto deve-se à natureza indireta dos danos, como a mortalidade excessiva e a perda de horas de trabalho, fatores que os contratos convencionais de indemnização ainda têm dificuldade em processar e medir de forma eficaz.

