O Executivo liderado por Luís Montenegro e a CGTP apresentaram balanços profundamente divergentes sobre a adesão à greve geral que afetou os serviços públicos e transportes em Portugal nas últimas 24 horas, num clima de crescente tensão social.
O Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, afirmou em declarações recentes que a paralisação nacional registou “números de adesão muito reduzidos”, sublinhando que a maioria dos serviços públicos funcionou sem interrupções críticas. Segundo a perspetiva do Governo, a greve não logrou paralisar o país e acabou por prejudicar principalmente as famílias que dependem das escolas e dos transportes públicos. O Executivo mantém a posição de que as reformas laborais em curso são necessárias para a competitividade da economia portuguesa e que o diálogo social deve ocorrer em sede de Concertação Social e não através da interrupção da atividade económica.
Em sentido oposto, a CGTP-IN classificou a adesão como “muito significativa” e “expressiva” em setores estratégicos como a educação, saúde e administração local. A central sindical fala num sentimento generalizado de revolta contra o que denomina de “assalto” à lei laboral e exige que o Presidente da República intervenha para travar as alterações legislativas. Durante a noite, registaram-se alguns momentos de tensão em frente à Assembleia da República, com a detenção de seis indivíduos após confrontos com as forças de segurança.
A divergência de dados entre o governo e os sindicatos é habitual nestes contextos, mas o tom das declarações sugere um fosso cada vez maior entre as partes. Enquanto o Governo minimiza o impacto, os sindicatos prometem continuar as formas de luta se as suas reivindicações sobre o custo de vida e os direitos laborais não forem atendidas nos próximos meses.

