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INTERNACIONAL

MARINHA ACOMPANHOU DOIS NAVIOS RUSSOS AO LARGO DA COSTA PORTUGUESA

A Marinha acompanhou desde segunda-feira a passagem dos navios russos “Vice Admiral Emylianov” e “Paromov” ao largo da costa continental portuguesa, avançou hoje em comunicado aquele ramo das Forças Armadas.

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A Marinha acompanhou desde segunda-feira a passagem dos navios russos “Vice Admiral Emylianov” e “Paromov” ao largo da costa continental portuguesa, avançou hoje em comunicado aquele ramo das Forças Armadas.

“O navio da Marinha NRP Sines acompanhou e monitorizou, durante os dois últimos dias, os navios da Federação Russa VICE ADMIRAL EMYLIANOV e PAROMOV, que navegaram em trânsito ao largo da costa continental portuguesa”, destacou a Marinha, em comunicado.

Este ramo das Forças Armadas sublinhou que “a monitorização de unidades navais russas decorre da defesa dos interesses nacionais e do exercício da autoridade do Estado no mar, e é um procedimento que representa um contributo para a segurança mundial, demonstrando igualmente o compromisso de Portugal para o esforço coletivo da Aliança na manutenção do conhecimento situacional marítimo”.

A Marinha Portuguesa tem acompanhado vários navios russos nos últimos tempos, na sua passagem ao largo da costa nacional.

Já em agosto a Marinha acompanhou, por exemplo, o navio russo “Kildin” e o “RFS Mercuriy”.

INTERNACIONAL

PANDEMIA DESTRUIU UMA DÉCADA DE PROGRESSO NA ESPERANÇA DE VIDA

A Covid-19 inverteu a tendência de aumento constante da esperança de vida à nascença e da esperança de vida saudável à nascença, alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS) na última edição das estatísticas mundiais de saúde.

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A Covid-19 inverteu a tendência de aumento constante da esperança de vida à nascença e da esperança de vida saudável à nascença, alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS) na última edição das estatísticas mundiais de saúde.

A pandemia terá destruído quase uma década de progresso na melhoria da esperança de vida em apenas dois anos, diz a organização, sustentando que entre 2019 e 2021 a esperança de vida global caiu 1,8 anos, para 71,4 anos, voltando ao nível de 2012, e a esperança de vida saudável global caiu 1,5 anos, para 61,9 anos em 2021, regressando também ao nível de 2012.

O relatório destaca também que as doenças não transmissíveis (DNT), como a doença cardíaca isquémica e o acidente vascular cerebral, o cancro, a doença pulmonar obstrutiva crónica, a doença de Alzheimer e a diabetes, eram as maiores causas de morte antes da pandemia, responsáveis por 74% de todas as mortes em 2019, e mesmo durante a pandemia, continuaram responsáveis por 78% das mortes não relacionadas com a covid-19.

O relatório de 2024 refere que as regiões da OMS para as Américas e o Sudeste Asiático terão sido as mais atingidas, com a esperança de vida a cair cerca de três anos e a esperança de vida saudável 2,5 anos entre 2019 e 2021. Em contraste, a região do Pacífico Ocidental registou perdas inferiores a 0,1 anos na esperança de vida e 0,2 anos na esperança de vida saudável.

“Devemos lembrar como o progresso pode ser frágil. Em apenas dois anos, a pandemia apagou uma década de ganhos na esperança de vida” afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, citado em comunicado da organização.

Segundo a organização, a covid-19 terá sido a terceira maior causa de mortalidade a nível mundial em 2020 e a segunda em 2021, sendo responsável por quase 13 milhões de vidas perdidas durante esse período.

Segundo as últimas estimativas da organização, exceto nas regiões de África e do Pacífico Ocidental, a covid-19 esteve entre as cinco principais causas de morte, tornando-se nomeadamente a principal causa de morte nas Américas em ambos os anos.

No relatório, a OMS alerta ainda para o aumento da obesidade, desnutrição e para o acesso aos cuidados de saúde para refugiados e migrantes que continua limitado, com apenas metade dos 84 países inquiridos entre 2018 e 2021 a prestar serviços de saúde financiados pelo Governo a estes grupos em níveis comparáveis aos dos seus cidadãos.

“Isto realça a necessidade urgente de os sistemas de saúde se adaptarem e abordarem as desigualdades persistentes e as necessidades demográficas em mudança das populações globais”, alerta.

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750 MIL MORTES POR ANO DEVIDO A INFEÇÕES BACTERIANAS PODIAM SER EVITADAS

A disponibilização de vacinas, a existência de água potável e saneamento básico e o desenvolvimento de métodos para prevenir infeções poderiam evitar anualmente 750.000 mortes ligadas à resistência antimicrobiana (RAM), indica um estudo da revista Lancet divulgado nesta quinta-feira.

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A disponibilização de vacinas, a existência de água potável e saneamento básico e o desenvolvimento de métodos para prevenir infeções poderiam evitar anualmente 750.000 mortes ligadas à resistência antimicrobiana (RAM), indica um estudo da revista Lancet divulgado nesta quinta-feira.

As estimativas são de que 7,7 milhões de mortes a nível mundial todos os anos são causadas por infeções bacterianas, o que representa uma em cada oito do total e torna estas doenças “a segunda maior causa de morte a nível mundial”.

Daquele total, 4,95 milhões estão associadas a bactérias que desenvolveram resistência aos antibióticos refere um comunicado da Lancet sobre o estudo.

As conclusões são de cientistas ligados a uma nova Série Lancet, com artigos científicos que incluem duas ou mais revisões, analisando em profundidade um tema. Neste caso o assunto é a RAM e a análise é parte de um conjunto de quatro artigos publicados na revista científica.

Na semana passada, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou uma lista atualizada, incluindo 15 bactérias que considera uma ameaça à saúde humana devido à sua crescente resistência aos antibióticos.

A agência de saúde das Nações Unidas alertou mais uma vez para o perigo da crescente resistência de certos patógenos e apelou para o desenvolvimento de novos tratamentos.

“O acesso a antibióticos eficazes é essencial para doentes em todo o mundo. O não-fornecimento destes coloca-nos em risco de não cumprirmos os objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU relativos à sobrevivência infantil e ao envelhecimento saudável”, afirma a Professora Iruka Okeke, da Universidade de Ibadan (Nigéria) e coautora da série, citada no comunicado.

“Antibióticos eficazes prolongam vidas, reduzem incapacidades, limitam os custos de saúde e permitem outras ações médicas que salvam vidas, como a cirurgia. No entanto, a resistência antimicrobiana está a aumentar — acelerada pelo uso inadequado de antibióticos durante a pandemia de Covid-19 — ameaçando a espinha dorsal da medicina moderna e levando a mortes e doenças que outrora teriam sido evitadas”, adianta.

Bebés e crianças, idosos e os que sofrem de doenças crónicas são os mais vulneráveis à RAM, devido ao seu maior risco de contrair infeções bacterianas em geral.

Calcula-se que um terço das mortes de recém-nascidos em todo o mundo são causadas por infeções e metade delas por sépsis (uma resposta potencialmente letal do sistema imunitário a uma infeção grave).

No caso das pessoas idosas e com doenças crónicas, os hospitais representam um “risco significativo”, sendo que a resistência antimicrobiana “compromete a segurança de procedimentos médicos comuns, como transplantes de órgãos, substituições de articulações, quimioterapia contra o cancro e tratamento de doenças não transmissíveis, como diabetes, doenças cardiovasculares e pulmonares crónicas”.

Num comentário ao trabalho, Nour Shamas, farmacêutica clínica e membro do grupo de trabalho da OMS sobre sobreviventes da RAM, assinala que a resistência antimicrobiana “pode afetar qualquer pessoa”, defendendo que “decisores políticos, profissionais de saúde, doentes e sociedade em geral” deviam apelar para que a redução da “propagação de doenças infecciosas e o desenvolvimento de resistência” e a garantia de “acesso a antimicrobianos”, bem como que eles sejam usados criteriosamente, “se torne uma prioridade global, urgentemente”.

Para lutar contra a RAM, o mais importante deve ser a prevenção de infeções, defendem os coautores Joseph Lewnard, Professor na Universidade da Califórnia, em Berkeley, e Yewande Alimi, dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças — África.

Das 750.000 mortes ligadas à RAM que poderiam ser evitadas todos os anos, os cientistas estimam que melhorar a prevenção e o controlo de infeções nos estabelecimentos de saúde poderia salvar até 337.000 pessoas, o acesso universal à água potável e ao saneamento eficaz perto de 247.800 e o alargamento da imunização pediátrica e a introdução de novas vacinas poderiam poupar 181.500 vidas.

Reduzir a utilização dos antibióticos quando o benefício para os doentes é limitado e investir em garantir o acesso global a novos antibióticos, vacinas e testes de diagnóstico são outras das medidas defendidas no estudo, no qual se pede igualmente “um maior financiamento para programas de prevenção da RAM”, considerando que este “está significativamente aquém” do destinado a “doenças com encargos menores, como o VIH, a malária e a tuberculose”.

O coautor Ramanan Laxminarayan, da Universidade de Princeton (EUA) e presidente da organização de investigação em saúde pública One Health Trust, considera que o desenvolvimento de novos antibióticos não reduzirá o impacto da RAM, a não ser que lhes seja garantido um acesso alargado.

“A redução do custo de desenvolvimento de medicamentos ajudaria a manter os antibióticos acessíveis, como demonstram as parcerias público-privadas para remédios destinados ao tratamento da malária e de doenças tropicais negligenciadas”, defende.

Para 2030, o estudo propõe “metas globais ambiciosas, mas alcançáveis” como “uma redução de 10% na mortalidade por RAM através da intensificação das intervenções de saúde pública para prevenir infeções (…) de 20% no uso inapropriado de antibióticos em humanos (…) e de 30% na utilização inadequada” destes medicamentos em animais.

O comunicado da Lancet é divulgado nas vésperas da Assembleia Mundial da Saúde (de 27 de maio a 1 de junho, em Genebra), durante a qual os autores desta Série Lancet deverão “apelar para uma ação global urgente sobre a resistência antimicrobiana (RAM) e a garantia do acesso sustentável aos antibióticos”, para não haver “um aumento constante no número de mortes” devido às infeções associadas.

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