A Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores (FEPONS) está preocupada com a subida do número de mortes por afogamento em Portugal- 36 desde o início do ano- e insiste na criação de medidas para criar estratégias de prevenção.
“É fundamental criarmos uma estratégia simples com vigilância durante todo o ano com uma vigilância diferente durante o inverno”, diz o presidente da FEPONS, Alexandre Tadeia.
“Não podem continuar a ser os concessionários a ter a responsabilidade de contratar e pagar os nadadores salvadores”, acrescenta.
Alexandre Tadeia defende que a segurança dos banhistas é responsabilidade do Estado e sublinha que a época balnear deve ter em conta o estado do tempo e não ser estabelecida com base em datas.
“Nós temos que aqui dizer de uma forma muito clara que não podemos ter uma época balnear que funcione em função de dias, de datas e não em função das condições climatéricas”, explica Alexandre Tadeia.
Também o presidente da Federação Portuguesa de Concessionários de Praias concorda com a posição dos nadadores salvadores. João Carreira acredita que alargar a época balnear não chega para colmatar as falhas na assistência nas praias.
“O alargar a época balnear também não resolve, porque em Dezembro ou em Janeiro podemos ter dias óptimos e não é época balnear. Devia haver assistência nas praias durante o ano todo, mais propriamente nas alturas em que há mais afluência, quando há bom tempo”, sublinha João Carreira
Os nadadores salvadores acusam a Assembleia da República de fazer um trabalho contrário àquele que devia ser feito em matéria de prevenção do afogamento. A FEPONS assume-se ainda contra o projecto de lei que quer tornar facultativa a presença de nadadores salvadores em piscinas. Alexandre Tadeia lembra igualmente que a maior parte das mortes por afogamento não acontece no mar.
“Se formos analisar os números ficamos conscientes de que até ao momento a maior parte dos afogamentos em Portugal não ocorreram no mar. Temos que criar estratégias de prevenção, estratégias nas escolas, estratégias para a segurança aquática que em Portugal ainda não está muito desenvolvida”, remata Alexandre Tadeia.

