O número de utentes sem médico de família atribuído voltou a bater recordes em junho de 2025, alcançando quase 1,7 milhões de pessoas. De acordo com os dados mais recentes do Portal do SNS, Portugal terminou o mês com 1.669.695 utentes a descoberto, um aumento de quase 25 mil pessoas em apenas um mês.
O cenário revela um problema estrutural cada vez mais profundo. Embora o número total de inscritos nos cuidados de saúde primários tenha aumentado em 21.939 utentes em junho, o contingente de pessoas sem médico cresceu a uma velocidade sete vezes superior (1,5% contra 0,2%).
Esta disparidade confirma que a crise não é apenas alimentada pela entrada de novos utentes no sistema. Prova disso é que, no primeiro semestre de 2025, o sistema perdeu cobertura para mais 105.493 pessoas, apesar de o número de novos inscritos ter sido inferior, cifrando-se nos 86.862. Ou seja, mesmo que não houvesse novos registos, a falta de médicos de família continuaria a agravar-se.
Fontes do setor apontam que a causa principal reside na contínua saída de centenas de especialistas em Medicina Geral e Familiar, seja por aposentação ou pela procura de melhores condições no setor privado e no estrangeiro, um ciclo de perdas que o SNS não tem conseguido compensar com novas entradas.

