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ECONOMIA & FINANÇAS

SETOR DOS COMPONENTES PARA AUTOMÓVEIS PODE PERDER QUATRO MIL EMPREGOS EM 2021

O setor dos componentes automóveis em Portugal pode perder cerca de quatro mil postos de trabalho este ano, quatro vezes a perda de emprego verificada em 2020, avisa o presidente da Associação de Fornecedores da Indústria Automóvel (AFIA).

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O setor dos componentes automóveis em Portugal pode perder cerca de quatro mil postos de trabalho este ano, quatro vezes a perda de emprego verificada em 2020, avisa o presidente da Associação de Fornecedores da Indústria Automóvel (AFIA).

Em declarações à agência Lusa, José Couto garante, no entanto, que as 358 empresas do setor, que empregam diretamente 61 mil pessoas, não pretendem que haja despedimentos, dada a especialização e qualificação dos seus trabalhadores.

“Podemos ter uma queda de quatro mil trabalhadores. Acreditamos que as empresas vão fazer um esforço para não despedir, mas no estudo que fizemos, numa primeira análise, esse foi o numero que nos indicaram”, afirmou o dirigente associativo.

Estes dados, revelou José Couto, são do conhecimento do Governo, a quem a AFIA pede medidas para contrariar o possível aumento do desemprego, nomeadamente a reativação do ‘lay-off’ simplificado.

“Em 2019, tínhamos 62 mil trabalhadores, baixamos 2% em 2020, passamos para 61 mil. E, neste momento, a nossa expectativa é que diminua o número de população empregada. De 2019 para 2020, o país teve instrumentos para conter o desemprego e o ‘lay-off’ simplificado foi uma medida que se revelou eficaz. O que sugerimos ao Governo é reativar este instrumento, porque, se nada for feito, os nossos associados dizem-nos que o desemprego vai aumentar”, enfatizou.

Em causa, no setor dos componentes para automóveis, está a diminuição das encomendas dos clientes, nomeadamente dos construtores europeus, com efeitos na diminuição da produção, a que se somam os custos de logística com a “demora” das matérias-primas “em chegar da Ásia à Europa”.

Ao nível das matérias-primas soma-se ainda a escassez de semicondutores no mercado, “um problema complicadíssimo e a expectativa é que não tenha resolução nos próximos anos” e o próprio aumento do preço “nalguns casos de 180%”, explica José Couto.

Depois, há ainda os custos da energia “que cresceram significativamente”: “Não é só o preço dos combustíveis, o preço do gás também está altíssimo e o preço da eletricidade é incomportável. As empresas sofrem muito, é quase uma tempestade perfeita”, ilustrou.

No estudo que a AFIA elaborou sobre a realidade da área dos componentes para automóveis e de acordo com José Couto — que preside à associação criada em 1966 em representação da Microplásticos — “a maior parte das empresas dizem que vão acabar [2021] com menos trabalhadores, o que significa uma diminuição da capacidade de produção pela diminuição dos custos fixos ligados ao emprego”.

“Temos, neste momento, um conjunto de informação que diz que podemos perder bastantes trabalhadores, porque as empresas necessitam de diminuir os seus custos”, reafirmou, notando que, “embora possam ter de libertar um conjunto de trabalhadores”, as unidades industriais não o querem fazer, já que “são trabalhadores altamente especializados e significam um custo enorme para as empresas no processo de formação e qualificação”.

“A indústria automóvel tem necessidade de manter níveis de produtividade altíssimos e as empresas procuram manter esses trabalhadores nos quadros e não desfazer-se desse ativo muito importante”, afiança.

Segundo José Couto, em 2020, a venda de automóveis novos na Europa caiu 23,6% (menos 4,4 milhões de veículos) e em 2021, até agosto, já se comercializaram menos 24,4%.

“Isto tem um efeito enorme sobre a produção de veículos automóveis, e o expectável é que em 2021 se vão produzir menos cinco milhões de automóveis. E em 2022 e 2023 não é expectável que se possa recuperar aquilo que foi a produção de 2019”, sublinha o presidente da AFIA.

“Neste momento, a queda da produção automóvel determina uma queda das componentes e a indústria portuguesa não é mais do que as outras, temos aqui uma diminuição de atividade significativa. Em agosto andava à volta dos 12,5%, mas nós temos já indicações que, até ao final do ano, este número irá aumentar para cima de 20%”, frisou José Couto.

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INFLAÇÃO EM JUNHO ABRANDA PARA 2,5% NA ZONA EURO E 2,6% NA UE

A taxa anual da inflação abrandou para os 2,5% em junho na zona euro, divulgou hoje o Eurostat, confirmando a estimativa já avançada e indicando ainda um recuo do indicador para os 2,6% na União Europeia (UE).

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A taxa anual da inflação abrandou para os 2,5% em junho na zona euro, divulgou hoje o Eurostat, confirmando a estimativa já avançada e indicando ainda um recuo do indicador para os 2,6% na União Europeia (UE).

Nos países da área do euro, a taxa de inflação anual de junho compara-se com a de 5,5% homóloga e a de 2,6% de maio.

No conjunto dos 27 Estados-membros, o indicador recuou para os 2,6% face a junho de 2023 (6,4%) e também à inflação anual registada em maio (2,7%).

A taxa de inflação subjacente (que exclui bens mais voláteis como energia e alimentos não processados), por seu lado, abrandou para os 2,8% em junho, face aos 6,8% homólogos e aos 2,9% de maio.

As menores taxas de inflação, medidas pelo Índice Harmonizado dos Preços no Consumidor (IHPC, que permite comparar entre os países), observaram-se, em junho, na Finlândia (0,5%), Itália (0,9%) e Lituânia (1,0%) e as maiores foram registadas na Bélgica (5,4%), Roménia (5,3%), Espanha e Hungria (3,6% em ambas).

Em Portugal, o indicador, medido pelo IHPC, abrandou para os 3,1%, face aos 4,7% de junho de 2023 e aos 3,8% registados em maio.

Comparando com maio, a inflação anual recuou em 17 Estados-membros, manteve-se num e subiu nos outros nove.

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GLOBAL MEDIA: TRABALHADORES DENUNCIAM FALTA DE PAGAMENTO

Um grupo de 40 trabalhadores a recibos verdes em títulos da Global Media anunciou hoje a suspensão da colaboração por tempo indeterminado por falta de pagamento, confirmou a Lusa junto do Sindicato dos Jornalistas (SJ).

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Um grupo de 40 trabalhadores a recibos verdes em títulos da Global Media anunciou hoje a suspensão da colaboração por tempo indeterminado por falta de pagamento, confirmou a Lusa junto do Sindicato dos Jornalistas (SJ).

De acordo com fonte do sindicato, estes colaboradores não recebem salários há dois meses.

Segundo um email enviado por estes colaboradores, a que a Lusa teve acesso, trata-se de “um grupo de cerca de 40 jornalistas, fotojornalistas e gráficos a recibos verdes que interrompeu hoje a colaboração com o Jornal de Notícias, Notícias Magazine, O Jogo, Volta ao Mundo, TSF e Diário de Notícias, por tempo indeterminado”.

Esta interrupção deve-se ao facto de ainda não terem recebido os pagamentos relativos a abril e maio, sem que a “administração da Global Media Group [GMG] tenha avançado com qualquer justificação para tal, ao longo destes meses, apesar das constantes tentativas de contacto e pedidos de esclarecimento”.

Os colaboradores também trabalharam em junho, mas este mês costuma ser liquidado em agosto, já que recebem dois meses depois.

“A decisão de parar de trabalhar foi comunicada à administração na última quinta-feira, dia 11 de julho, caso os valores em causa não fossem liquidados até ontem, dia 15, o que não sucedeu”, referem os trabalhadores na missiva enviada.

“Esta situação afeta cerca de 130 jornalistas, fotojornalistas e gráficos a recibos verdes, que se sentem desrespeitados por não estarem a receber pelo trabalho realizado e indignados com o silêncio da administração”, prosseguem, referindo que, “nos últimos meses, têm sido avançadas diversas datas para finalizar o negócio da venda do Jornal de Notícias, JN História, O Jogo, Volta ao Mundo, Notícias Magazine, Evasões, TSF, N-TV e Delas, sem que tal se tenha verificado”.

Apontam que “foi preciso chegar a este ponto para a administração da Global Media reagir e responder aos pedidos de explicação individuais, pouco depois de terem recebido” o ‘email’ a comunicar a suspensão.

Mas, “apesar disso, nessas respostas individuais, faz depender o pagamento das dívidas para connosco da finalização do negócio com o novo grupo, Notícias Ilimitadas, quando sabemos que este já transferiu cerca de quatro milhões de euros, também com o objetivo de nos pagar, compromisso que os administradores da Global Media não têm cumprido”, salientam.

“Estamos conscientes que a nossa paragem vai afetar o trabalho dos colegas da redação, dos editores e da direção, o que lamentamos, mas sentimos que não tínhamos alternativa, a não ser parar e alertar para a existência deste problema, que nos está a afetar financeira e psicologicamente”, sublinham.

A esperança, referem, “é que os pagamentos em atraso sejam liquidados rapidamente” e que “o negócio com o grupo Notícias Ilimitadas seja concluído”.

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