A associação ambientalista Zero advertiu para o impacto ecológico sem precedentes do Campeonato do Mundo de Futebol que decorre nos Estados Unidos, Canadá e México. Em causa estão emissões de dióxido de carbono equivalentes a um quinto do total anual produzido em Portugal.
A associação ambiental Zero emitiu um comunicado alertando para as consequências ambientais do alargamento do Campeonato do Mundo de Futebol para 48 seleções e 104 jogos. Segundo a organização, a dispersão geográfica por 16 cidades na América do Norte gera uma pegada carbónica estimada entre oito e nove milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente.
Este valor aproxima-se de vinte por cento das emissões anuais de Portugal. A Zero destaca que a maioria das emissões, entre 85 e 90 por cento, provém do transporte aéreo utilizado por equipas, adeptos e jornalistas. A distância entre cidades como Vancouver e Miami, superior a 4.500 quilómetros, é apontada como um fator crítico. Adicionalmente, as elevadas temperaturas em cidades como Houston ou Dallas exigirão um consumo acrescido de energia para climatização e hidratação.
A associação aponta uma contradição entre a escala destes megaeventos e as metas do Acordo de Paris. Em relação ao Mundial de 2030, a realizar em Portugal, Espanha e Marrocos, a Zero defende que a organização deve priorizar a mobilidade ferroviária, o uso de energias renováveis e a gestão eficiente da água e resíduos.
O comunicado sublinha a necessidade de metas transparentes de redução de emissões para que os futuros eventos internacionais possam minimizar os desafios climáticos e garantir a sustentabilidade global através de um planeamento mais rigoroso das infraestruturas de apoio.
