Cerca de setenta mil pessoas concentraram-se na Cova da Iria, em Fátima, para testemunhar a sexta e última aparição relatada por três crianças pastoras. A multidão presente relatou movimentações visuais invulgares no disco solar após o término da chuva intensa que marcava o dia.
A treze de outubro de mil novecentos e dezassete, a localidade de Fátima reuniu entre cinquenta e setenta mil peregrinos na Cova da Iria. A deslocação em massa ocorreu na sequência de anúncios prévios feitos por Lúcia dos Santos e pelos seus primos, Francisco e Jacinta Marto, que sustentavam que uma figura identificada como Nossa Senhora realizaria um prodígio para atestar a veracidade das revelações.
Sob condições meteorológicas adversas caracterizadas por precipitação contínua, os presentes observaram uma súbita rutura na cobertura de nuvens por volta do meio-dia solar. De acordo com relatos contemporâneos, incluindo crónicas detalhadas do jornalista Avelino de Almeida no jornal O Século, o sol surgiu sob a forma de um disco prateado que podia ser fitado diretamente sem ofuscar a visão, iniciando oscilações e rotações que duraram cerca de dez minutos.
O fenómeno foi interpretado de forma divergente: os crentes viram a confirmação das aparições marianas, enquanto analistas laicos apontaram explicações óticas decorrentes da condensação e sugestão coletiva. O evento transformou Fátima num centro nevrálgico de devoção, culminando no reconhecimento eclesiástico diocesano das aparições em outubro de mil novecentos e trinta.

