Apenas 17% das empresas portuguesas aplicam o recrutamento baseado em competências de forma transversal e estruturada. De acordo com um estudo internacional da Gi Group Holding publicado esta manhã, Portugal regista o valor mais baixo entre oito países analisados, apesar de a maioria dos profissionais apoiar esta abordagem.
Apenas dezassete por cento das empresas em Portugal realizam processos de recrutamento baseados em competências de forma transversal e estruturada, indica o relatório “The Skills Equation: Rethinking Talent Beyond Titles”, desenvolvido pela multinacional Gi Group Holding e publicado esta manhã de sexta-feira. Este resultado coloca o mercado de trabalho nacional na posição mais baixa entre os oito países analisados na investigação internacional.
O documento demonstra um fosso evidente entre a aceitação conceptual do modelo e a sua implementação prática. Embora cinquenta e oito por cento dos trabalhadores e sessenta e um por cento dos diretores de recursos humanos considerem que a contratação focada em competências representa a direção correta, a passagem à prática continua bastante limitada nas empresas nacionais. Em termos comparativos, a Índia lidera com trinta e seis por cento, seguindo-se o Brasil e o Reino Unido com vinte e quatro por cento, França com vinte e dois por cento, Espanha e Itália com vinte e um por cento e a Alemanha com dezanove por cento.
Entre as maiores dificuldades sinalizadas em Portugal para a transição definitiva destacam-se a complexidade em associar diretamente competências, desempenho e remuneração, apontada por quarenta e dois por cento dos inquiridos, a sobrecarga de decisão sobre as chefias e os departamentos de gestão de pessoas e a complexidade de governação organizacional na triagem do talento.

