A Polícia Judiciária anunciou mais uma detenção de um homem suspeito de um crime de incêndio florestal ocorrido a 04 de Agosto em Lagoa, no Algarve. Com esta detenção, aumenta para 50 o número de pessoas detidas este ano pela autoria deste crime; das quais 11 detidos pela GNR e 39 detidos pela PJ.
Uma das últimas foi a detenção de um homem de 26 anos, sem ocupação profissional que, acredita-se, será responsável por um incêndio a 11 de Agosto na localidade de Cabanes, em Vila Pouca de Aguiar. Colocou em perigo casas e floresta. Sobre o que o moveu, o comunicado da PJ nada diz.
Outro detido nas últimas horas é um pedreiro desempregado, divorciado, 53 anos. Terá usado um isqueiro para atear dois fogos no dia 10, no concelho de Tondela. Entre os suspeitos, há jovens e menos jovens, cadastrados, pessoas com aparentes problemas de saúde mental e outras sem qualquer sinal disso.
A GNR contabiliza para já 10.548 incêndios, que correspondem a 100.270 hectares de área ardida (no ano passado foram menos de 64 mil). O que se sabe da origem dos fogos deste ano? A negligência é apontada como “causa” em 37% dos incêndios. Em 35% dos casos ainda não se sabe o que os provocou. E em 19% a causa é “intencional”.
Na quarta-feira, uma mulher de 52 anos, sem nenhum antecedente criminal, confessou à polícia que usou uma caixa de fósforos. Diz a PJ que ela contou que tinha visto, “ultimamente”, o combate aos fogos nas proximidades da sua casa, no concelho de Oliveira do Bairro. O que a levou a atear três focos de incêndio, que só não resultaram em danos avultados porque os bombeiros andavam perto, não é explicado.
Um agricultor de 54 anos, em Pinhel, que admitiu “não ter conseguido dominar o seu ímpeto incendiário”, já condenado anteriormente por atear fogos, e um desempregado de 46 anos, com “tendências autodestrutivas”, que já tinha tentado colocar fogo em botijas de gás, na Guarda, foram outros dos detidos nos últimos dias.
As cadeias portuguesas e instituições similares têm, recorde-se, 51 pessoas a cumprir pena por incêndio florestal. Mas todos os anos são muitas as participações às polícias. O Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2015 mostra que “o crime de incêndio/fogo posto em floresta/mata, arvoredo ou seara foi o que maior aumento [de participações] registou”. Chegou-se às 9988.
Foram detidas nesse ano pelas forças de segurança 131 pessoas, aplicadas 2821 contraordenações por incumprimento da legislação florestal e constituídos 135 arguidos.

