RÁDIO REGIONAL
NACIONAL

TRIBUNAL SUPREMO ALERTA PARA O PERIGO DA COMUNICAÇÃO SOCIAL ‘CONTROLADA’

O presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) alertou hoje para a ameaça a “uma comunicação social livre e independente” que representa o haver órgãos na posse de “poderosos grupos económicos” que os usam em defesa de interesses próprios.

“Todos sabemos que poderosos grupos económicos adquirem empresas de comunicação social para, através delas, influenciarem a opinião pública e levarem por diante os seus interesses. Com essa estratégia, conseguem escolher-se os temas de discussão pública através de notícias editadas no tempo e com o destaque que melhor sirva esses interesses, sem qualquer preocupação quanto ao cumprimento dos deveres profissionais do jornalismo”, disse hoje o juiz conselheiro Henrique Araújo.

O presidente do STJ falava no âmbito da uma conferência sobre os tribunais e a comunicação social, organizada pelo Círculo Cultural do STJ e que decorreu esta tarde no Salão Nobre deste tribunal.

Henrique Araújo disse que em defesa de interesses particulares “destrói-se a honorabilidade e o bom nome de uma figura com mais protagonismo político ou social a partir da publicação de simples indícios retirados de processos em curso, muito dos quais cobertos pelo segredo de justiça”.

Para o presidente do STJ “é do interesse da Justiça e dos tribunais aprofundar a transparência da atividade judicativa”, mas isso só é possível com “uma comunicação social livre e independente e se existir por parte dos jornalistas e dos restantes profissionais da comunicação social uma consciência clara dos deveres que têm para com a sociedade”.

“Com exceção de alguns jornalistas (ainda bastantes, felizmente) sérios e independentes, comprometidos com a verdade e com o esclarecimento das populações, hoje gravita na área da comunicação social uma série de profissionais da informação que manda às malvas os códigos éticos formais e informais e se deixa manipular por interesses económicos, políticos e outros”, criticou.

Segundo Henrique Araújo, proliferam nos media, tradicionais e digitais, “notícias deliberadamente falsas, imprecisas ou descontextualizadas, com objetivos esconsos”, sendo este um “estado de coisas” sobre o qual os tribunais tem uma “noção exata”, justificando com isto a ideia de que a disponibilização da informação pedida aos tribunais pelos media “tenha de ser feita com cuidados redobrados, o que muitas vezes não se compatibiliza com a urgência que geralmente é solicitada”.

O presidente do STJ refere mesmo uma relação de “alguma tensão” entre comunicação social e tribunais decorrente de uma “permanente tentativa de acesso a dados processuais sigilosos” por parte dos jornalistas e pela “urgência na obtenção de elementos que só podem ser disponibilizados após o necessário tratamento”.

Subscreva Gratuitamente a Rádio Regional no Google News.

VEJA AINDA:

GOVERNO LANÇA CONCURSO DE TRÊS MILHÕES PARA DISTRIBUIÇÃO DE JORNAIS

Rádio Regional

PORTUGAL PERDEU MAIS DE MIL TÍTULOS DE IMPRENSA EM DUAS DÉCADAS

Rádio Regional

OPERADORES DE TV EM IMPASSE COM A FIFA SOBRE DIREITOS DO MUNDIAL

Rádio Regional

LIBERDADE DE IMPRENSA SOB AMEAÇA COM 129 JORNALISTAS ASSASSINADOS

Rádio Regional

ANA ABRUNHOSA PEDE DESCULPA A JORNALISTA POR “MOMENTO INFELIZ”

Rádio Regional

CCPJ REPROVA PRESSÕES DO PODER POLÍTICO SOBRE JORNALISTAS

Rádio Regional

Deixe um comentário

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.