Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística divulgados esta quinta-feira, Portugal produziu apenas 16,8% dos cereais consumidos em 2025. O défice da balança comercial agroalimentar agravou-se, atingindo os 6.256,6 milhões de euros, num ano marcado por condições meteorológicas adversas.
Portugal continua a apresentar uma elevada vulnerabilidade no setor cerealífero, tendo assegurado apenas 16,8% do seu consumo interno em 2025. De acordo com as Estatísticas Agrícolas do Instituto Nacional de Estatística (INE), este valor representa um dos níveis mais baixos de autoaprovisionamento da história recente da agricultura portuguesa. O cenário de dependência externa é acentuado pelo agravamento do défice da balança comercial de produtos agroalimentares, que atingiu os 6.256,6 milhões de euros, um aumento de 1.150 milhões face ao período homólogo.
O desempenho negativo das culturas vegetais foi condicionado por condições meteorológicas extremas, incluindo o verão mais quente e seco dos últimos 94 anos. Esta conjuntura afetou severamente a produção de cereais, batata e citrinos, com estes últimos a registarem a pior campanha da última década. Em contraste, o setor do azeite demonstrou resiliência, atingindo um grau de autoaprovisionamento de 247,9%, impulsionado pelo rendimento dos olivais intensivos.
No plano económico, o Valor Acrescentado Bruto (VAB) da agricultura registou um crescimento nominal de 2,9%, mas o rendimento real dos produtores caiu 4,5%. Esta redução é explicada, sobretudo, pelo decréscimo de 16,5% nos subsídios à produção e pela quebra no volume de produção agrícola real, que recuou 3,7% no período em análise.

