O setor hoteleiro em Espanha enfrenta um crescente desafio com hóspedes que, após pagarem a estadia inicial, se recusam a abandonar os quartos, transformando-os em residências de facto, ou uns verdadeiros “okupas”.
O fenómeno dos hóspedes que se recusam a abandonar os quartos de hotel após o término da sua reserva está a tornar-se uma preocupação crescente para o setor hoteleiro espanhol. Relatos indicam que, após o pagamento de uma primeira semana de estadia, algumas famílias ou indivíduos instalam-se e, chegado o prazo final, simplesmente ignoram a data de saída. Esta situação pode levar os estabelecimentos a esperar meses por uma decisão judicial que lhes permita reaver os seus imóveis.
Segundo o ‘El Confidencial’, estes casos estão longe de ser isolados em Espanha, e o setor hoteleiro alega estar praticamente sem meios eficazes para reagir quando um hóspede decide converter um quarto de hotel na sua morada permanente. A dificuldade reside no facto de a lei espanhola, nestas circunstâncias, tratar a permanência do hóspede de forma análoga à ocupação ilegal de uma habitação.
O advogado Pedro Revilla, especialista nesta área, explica que as primeiras 48 horas são cruciais. Se não houver intervenção policial nesse período inicial, a permanência do hóspede é considerada consolidada. A partir daí, o proprietário do hotel é legalmente obrigado a iniciar um processo judicial para obter uma ordem de despejo, um procedimento que se revela moroso e dispendioso.
A gravidade do problema acentua-se nas zonas turísticas, onde os tribunais enfrentam uma sobrecarga de processos.
Redação | Fotografia: El Mundo

