Dois camiões armadilhados com explosivos de alta potência foram detonados na manhã de 23-10-1983 em Beirute, no Líbano, destruindo os edifícios que acolhiam contingentes da Força Multinacional. O duplo atentado suicida matou 241 militares norte-americanos e 58 soldados franceses, no dia mais sangrento para as forças ocidentais desde a Guerra da Coreia.
As instalações das tropas internacionais de manutenção de paz em Beirute foram devastadas por dois ataques terroristas quase simultâneos perpetrados com viaturas armadilhadas com elevada carga explosiva. O primeiro ataque ocorreu às seis horas e vinte minutos da manhã, quando um camião com cerca de dez mil quilos de explosivo avançou a grande velocidade pelo perímetro de segurança do edifício que servia de quartel ao Primeiro Batalhão do Oitavo Regimento de Fuzileiros dos Estados Unidos da América, situado junto ao aeroporto da cidade.
A deflagração demoliu integralmente a estrutura de cimento de quatro pisos, sepultando centenas de praças sob os escombros e provocando a morte a duzentos e quarenta e um militares norte-americanos, incluindo fuzileiros, marinheiros e soldados. Trata-se do pior número diário de baixas sofrido pelo corpo expedicionário norte-americano desde as operações anfíbias na batalha de Iwo Jima, em 1945.
Minutos após o primeiro rebentamento, um segundo veículo atacou o quartel Drakkar, localizado no setor residencial de Ramlet al-Baida, onde se encontrava estacionada uma companhia de paraquedistas das Forças Armadas francesas. A detonação causou o desabamento total do imóvel de oito andares, matando cinquenta e oito soldados franceses e vários familiares civis do guarda libanês do complexo militar. A autoria moral da ação foi prontamente associada a fações armadas xiitas que contestam a intervenção ocidental na guerra civil libanesa.

