A Associação dos Comercializadores de Energia no Mercado Liberalizado admitiu hoje eventuais ajustamentos nas tarifas de eletricidade em Portugal, devido à subida sustentada das cotações grossistas nos mercados a prazo, na sequência da decisão da ERSE de atualizar a tarifa do mercado regulado em 2,7%.
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A Associação dos Comercializadores de Energia no Mercado Liberalizado (ACEMEL) alertou para a pressão sobre os preços da eletricidade em Portugal. Segundo o presidente da entidade, João Nuno Serra, as operadoras do regime liberalizado poderão ter de atualizar as suas tabelas após a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) ter revisto a tarifa regulada em 2,7%, refletindo a escalada das cotações grossistas nos contratos de fornecimento a prazo.
A estrutura do Mercado Ibérico de Eletricidade (MIBEL) continua a ditar que, sempre que a produção renovável é insuficiente para responder à procura, as centrais térmicas a gás natural definem a tarifa marginal horária. A esta condicionante somam-se as exigências de segurança de abastecimento com recurso a potência firme, introduzidas após o apagão ibérico, bem como a volatilidade gerada pelas tensões geopolíticas no mercado dos combustíveis fósseis.
Apesar de admitir eventuais ajustamentos de preços, a associação que representa 22 comercializadores independentes e cerca de 15% do consumo nacional assegura que o mercado livre continua a apresentar propostas mais vantajosas face ao mercado regulado. João Nuno Serra sublinhou que a opção pelo regime regulado não faz sentido económico, sustentando que a reduzida quota dos operadores independentes decorre do hábito cultural de fidelização aos fornecedores históricos.

