O presidente da Confederação Empresarial de Portugal, Armindo Monteiro, defendeu a retoma da discussão sobre as alterações ao Código do Trabalho através de um novo documento elaborado de raiz. A proposta surge após o recente chumbo parlamentar da revisão da legislação laboral em sede de generalidade.
Em declarações à margem da iniciativa “O Futuro de Portugal”, o presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), Armindo Monteiro, defendeu que a rejeição parlamentar da proposta de lei de revisão da legislação laboral não encerra o debate sobre a matéria. Para o dirigente, a necessidade de reformar o Código do Trabalho mantém-se premente, propondo que a discussão seja retomada através de um documento elaborado inteiramente de raiz, evitando processos precipitados.
A CIP sublinha que os parceiros sociais e o Governo têm agora a oportunidade de construir um novo consenso. Armindo Monteiro enfatiza que qualquer avanço deve ser articulado em sede de Concertação Social, garantindo a concordância dos intervenientes antes de nova submissão legislativa. O presidente da confederação esclareceu que a insistência nesta reforma não é uma posição isolada, mas sim uma necessidade económica, embora ressalve que a CIP mantém o foco noutros dossiers relevantes, como os salários e o sistema de pensões.
Sobre o fracasso da proposta anterior, que foi travada pelo Chega e pela esquerda parlamentar, Monteiro analisou a atuação do Governo como uma estratégia negocial que acabou por não colher os frutos esperados. O líder empresarial reconheceu que a perceção pública inicial do documento poderá ter dificultado a aceitação das medidas propostas. O texto chumbado incorporava mais de 50 alterações ao anteprojeto, incluindo pontos sugeridos pela UGT, que se revelaram insuficientes para a viabilização política.

