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GNR EXPLICA A NOVA “BRIGADA DE TRÂNSITO” CONTRA A SINISTRALIDADE

A Guarda Nacional Republicana (GNR) anunciou, esta quarta-feira, uma reorganização profunda da Unidade Nacional de Trânsito (UNT). O novo modelo operacional recupera a estrutura da antiga Brigada de Trânsito, visando aumentar a fiscalização, visibilidade e segurança nas estradas portuguesas face ao aumento acentuado da sinistralidade.


Aumento da Sinistralidade em Portugal

De acordo com os dados oficiais da GNR, Portugal registou 145 vítimas mortais em acidentes de viação até ao dia 13 de abril de 2026. Este valor representa um aumento de 22% (mais 42 mortos) em relação ao período homólogo do ano anterior.

Com uma taxa de mortalidade de 58 mortos por milhão de habitantes, Portugal posiciona-se atualmente como o 6.º pior país da União Europeia nesta matéria. A GNR justifica a necessidade desta reforma com a natureza dinâmica dos fatores de risco e a persistência de comportamentos de risco nas estradas.


Correção de Constrangimentos Operacionais

A GNR identifica que a atual organização, estabelecida após a extinção da Brigada de Trânsito (processo iniciado em 2007 e efetivado em 2009), apresenta limitações à eficácia operacional. Entre os problemas apontados pela instituição figuram:

  • A dispersão do comando técnico
  • Dificuldades na uniformização de procedimentos a nível nacional.
  • Condicionamento da resposta por fronteiras administrativas territoriais.
  • Redução da capacidade de concentração de meios em pontos críticos.

A Guarda recorda que, à data da extinção da Brigada, o Comando da instituição manifestou oposição à alteração que integrou os Destacamentos de Trânsito nos Comandos Territoriais.


Os Quatro Eixos da Reorganização

O novo modelo assenta na premissa de que a sinistralidade não respeita limites administrativos e deve ser combatida com base em eixos de circulação e padrões de risco. A reforma estrutural baseia-se em quatro pilares:

  • Integração dos Destacamentos: A UNT passa a integrar diretamente os 23 Destacamentos de Trânsito existentes em todos os distritos, garantindo um comando técnico e operacional unificado à escala nacional.
  • Nível Intermédio de Comando: Criação de Grupos de Trânsito para reforçar a supervisão e articulação operacional e administrativa.
  • Reforço do Comando Técnico: Promoção de melhores práticas e uniformidade de procedimentos com base no conhecimento consolidado da especialidade.
  • Proximidade Territorial: Manutenção da articulação com os Comandos Territoriais para garantir a presença contínua no terreno.

Estratégia de Implementação

A resposta operacional será gerida através da análise de dados para identificar padrões de risco e permitir uma atuação preventiva. A GNR prevê a utilização de meios com elevada mobilidade e flexibilidade para rápida concentração nos locais onde são mais necessários.

Esta transição será efetuada de forma faseada e progressiva, abrangendo prioritariamente a Rede Nacional Fundamental e a Rede Nacional Complementar. O objetivo final é a implementação de um modelo mais tecnológico e ágil que responda aos desafios contemporâneos da mobilidade.


Vítor Fernandes

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