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VITÓRIA DE SETÚBAL: A CONFISSÃO DO VFC E A ‘VISTA GROSSA’ DA LIGA

Este é o quarto episódio de uma investigação jornalística que retrata o verdadeiro calvário sadino de um clube que sobrevive envolto em dúvidas e polémicas. Neste novo capítulo da saga vamos conhecer o que diz o Vitória de Setúbal perante as acusações de inscrição e utilização irregular de um atleta.

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Em 1953 Mário Lêdo mandou construir aquele que é hoje o estádio do Bonfim. Foram precisos 8 anos para dar corpo ao então Estádio dos Arcos que mais tarde se rebaptizou como Estádio do Bofim. Foi inaugurado em 16 de Setembro de 1962 com o mais alto patrocínio político de Américo Tomás e António Oliveira Salazar. O histórico e respeitável setubalense Mário Lêdo estaria longe de imaginar que o novo milénio viria trazer uma “maldição” que ofuscou a história gloriosa de um clube centenário.

Este é o quarto episódio de uma investigação jornalística que retrata o verdadeiro calvário sadino de um clube que sobrevive de “polémica em polémica” num verdadeiro oceano de dúvidas e incertezas quanto ao seu futuro. Já por 3 vezes que este vitória esteve à beira da “derrota insolvente” provocada por uma longa lista de credores, que ainda acreditam numa solução para os seus créditos;  entre os quais atletas, treinadores, sociedades desportivas e o Estado (entre outros).

Em 29/07/2019 a Rádio Regional torna pública a reportagem: VITÓRIA DE SETÚBAL: OS ESTRANHOS NEGÓCIOS SADINOS. Nesse mesmo dia José Manuel Meirim, Presidente do Conselho de Disciplina da FPF, mandou instaurar um inquérito “urgente” para investigar as denúncias sustentadas em documentos a que a Rádio Regional teve acesso: VITÓRIA DE SETÚBAL: NOVA INVESTIGAÇÃO DA FPF PODE DITAR A DESPROMOÇÃO.

Os documentos que a Rádio Regional tornou públicos levantam fortes suspeitas quanto à eventual irregularidade na inscrição de pelo menos um atleta. Objectivamente, o Vitória de Setúbal é investigado de irregularidade na inscrição do atleta Kgaogelo Sekgota (Kigi), por alegada violação dos artigos 91 e 134 do Regulamento de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, cujas consequências, entre outras, podem levar o Vitória Futebol Clube à despromoção para a Segunda Liga.

Ainda segundo o despacho de 29-07-2019: “ora, convém, desde já, deixar claro que a eventual responsabilidade disciplinar, tendo presente a sociedade desportiva em causa, só pode ser apurada à luz do Regulamento de Disciplina da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, uma vez que é nas competições profissionais que a sociedade desportiva se encontra integrada” pode ler-se no documento assinado pelo próprio José Manuel Meirim.

Analisados os documentos que sustentam as denúncias contra o Vitória Futebol Clube, percebe-se desde logo que a Liga Portuguesa de Futebol não terá “reparado” nas irregularidades da inscrição do atleta. A LPFP deve garantir a legalidade e a fidedignidade dos processos de inscrição de clubes e atletas; mas não esclarece Rádio Regional que diligências efectuou, nem responde aos nossos pedidos de informação nem justifica porque razão fez “vista grossa” às suspeitas agora conhecidas.

A Rádio Regional sabe ainda que a Liga Portuguesa de Futebol já mandou identificar o funcionário responsável que analisou a inscrição do Vitória Futebol Clube, o que levou à instauração de um processo disciplinar.


O VFC DIZ QUE A FALTA DE DOCUMENTOS FOI APENAS UM “MERO LAPSO”

O inquérito instaurando pelo Conselho de Disciplina da FPF foi remetido para a Comissão de Instrutores da LPFP, e dada a urgência do processo, o Vitória Futebol Clube já respondeu por email enviado por Rodolfo Vaz, com 38 páginas a que a Rádio Regional já teve acesso.

O Vitória Futebol Clube já em sede de inquérito acaba por confirmar as suspeitas. Em causa, estava um contrato assinado entre o jogador Kgaogelo Sekgota (Kigi) no dia 16 de Janeiro de 2019, mas, estranhamente, o reconhecimento das assinaturas estava datado de 16 de Outubro de 2018 (três meses antes).

A esta suspeita, o VFC explica-se alegando que “por mero lapso, ao juntarem-se os reconhecimentos realizados pelos advogados do clube, se incluiu o reconhecimento da respondente Vitória Futebol Clube SAD e dos representantes da sua administração realizados em Outubro/2018 e não o reconhecimento realizado dia 31 Janeiro/2019, como seria correto” lê-se na defesa apresentada pelo VFC, como se pode ver aqui do extracto do documento:

Mas a lei diz, “contrato de trabalho desportivo, elaborado em conformidade com as disposições do contrato coletivo de trabalho dos jogadores profissionais de futebol, com reconhecimento presencial da assinatura do jogador e reconhecimento presencial, ou por semelhança, da assinatura dos legais representantes do clube“, como se pode ler no número 7 do Artigo 75 do Regulamento de Competições.

A este incumprimento, o Vitória Futebol Clube respondeu com um “mero lapso“. Mas o que o Vitória Futetol Clube não explicou, é que além do reconhecimento das assinaturas dos legais representantes do clube aparentemente não estarem em conformidade, também o reconhecimento da assinatura do atleta não corresponde ao contrato registado na LPFP.

A Rádio Regional verificou, pela comparação dos documentos, que também o registo de reconhecimento de assinaturas apresentado em 31 de Janeiro refere-se a outro contrato, que não é o mesmo do que agora foi apresentado em sede de inquérito. São portanto muitos os “lapsos” que o Vitória Futebol Clube não explica.


O VFC DIZ QUE A CULPA É DO … STRESS

É a resposta da direcção do Vitória Futebol Clube que assina a sua própria “sentença” quando justifica um grave incumprimento do regulamento (a falta de documentos essenciais à inscrição de atletas) como resultante do “stress” pelo facto de nesse dia, último dia para inscrição de jogadores, um clube profissional ainda ter incertezas quanto à sua capacidade de provar a inexistência de dívidas à Autoridade Tributária e Segurança Social, como se pode ver aqui do extracto do documento;

Como se pode ler, o Vitória Futebol Clube refugia-se no “stress” para justificar o confesso incumprimento na apresentação atempada e em prazo de documentos obrigatórios essenciais à inscrição de atletas.


OS RECONHECIMENTOS DE ASSINATURAS ENVOLTOS EM DÚVIDAS

Quando o Vitória Futebol Clube apresenta a sua “longa” contestação ao inquérito em curso juntou, agora em Agosto de 2019, aqueles que seriam os “verdadeiros” reconhecimentos de assinaturas que já devia ter juntado em 31 de Janeiro de 2019, conforme obriga o Regulamento de Competições Profissionais.

A Rádio Regional indagou junto de advogados sobre a autenticidade desses reconhecimentos, e apurou a aparente irregularidade dos mesmos, dado que todos os reconhecimentos apresentados pelo próprio Vitória Futebol Clube não estão devidamente assinados e carimbados pelo advogado interveniente, conforme manda o Artigo 46 (formalidades comuns) e 155 (requisitos) do Código do Notariado, aplicado ao reconhecimento de assinaturas praticado por advogados.

A esta aparente irregularidade, o Vitória Futebol Clube não apresentou em sua defesa qualquer explicação.


O STUMBRAS FC (LITUÂNIA) ESCLARECE CONTRATOS DE KIGI

Ainda na resposta ao inquérito instaurando pelo Conselho de Disciplina da FPF, e perante vários contratos assinados pelo atleta denunciados na reportagem VITÓRIA DE SETÚBAL: OS ESTRANHOS NEGÓCIOS SADINOS, o emblema setubalense defende-se alegando que “por exigência do clube detentor dos direitos de inscrição desportiva do citado jogador, FC STUMBRAS KAUNAS, clube filiado na Federação de Futebol Lintuana (LFF), o qual apenas aceitaria que o jogador fosse inscrito como profissional junto da Liga Portugal, e não apenas na categoria Sub-23, junto da Federação Portuguesa de Futebol, foi também assinado, no mesmo dia, um novo Contrato de Trabalho“, pode lêr-se na contestação do VFC.

Mas a Rádio Regional falou com o STUMBRAS FC que negou aquela “exigência” alegada pelo VFC, e remetendo para o contrato celebrado entre os clubes, assinado em 15 de Outubro de 2018 (sem intervenção do atleta). Contrato esse a que a Rádio Regional também teve acesso e está em condições de garantir que nenhuma cláusula faz referencia a essa “obrigação”, pelo contrário, é um contrato especialmente penalizador para o VFC em caso de incumprimento.

Na fotografia, Kgaogelo Sekgota (Kigi), festeja conquistas nas provas da Lituânia ao serviço do FC Stumbras.


AS IMPLICAÇÕES DA INSCRIÇÃO IRREGULAR

São os próprios agentes do clube que acusam directamente o Vitória Futebol Clube de terem “falsificado” a inscrição do atleta, denunciando um “sofisticado sistema” que, segundo os agentes do atleta, envolverá o próprio Vítor Hugo Valente, Rodolfo Vaz e José Condeças, directores da VFC SAD como responsáveis.

O atleta em questão é Kgaogelo Sekgota (Kigi) que, foi usado em alguns jogos, entre os quais, em 12 de maio de 2019 contra o Desportivo de Chaves, jornada 33 da Primeira Liga 2018/2019. O atleta Kgaogelo Sekgote “Kigi” figurou com a camisola número 26, como suplente mas entrou em jogo aos 68 minutos. O jogo, realizado em Chaves, terminou com a vitória do Vitória Futebol Clube por 1-2 com golos de Allef aos 6 minutos e Fréderic Mendy aos 15 minutos e com o Chaves a reduzir aos 68 minutos por golo de Bruno Gallo.

O atleta Kgaogelo Sekgota (Kigi) é um jovem nascido em 1997 na África do Sul. Em 2018, veio da Lituânia para Portugal atrás do sonho de ser um grande futebolista depois de jogar no Stumbras FC (um clube da Lituânia). Talento não lhe falta, é na velocidade e “tecnicidade” que ele promete destacar-se. Representado pela filial Portuguesa da Soccer Features Limited.

Na fotografia, Kigi, o reforço do VFC anunciado em Janeiro de 2019, no jogo frente ao Chaves, cuja vitória pertenceu aos sadinos.


Até à hora da publicação desta reportagem, o presidente do VFC, Vítor Hugo Valente, declinou todos os pedidos de esclarecimentos sobre estes e outros casos, que a Rádio Regional vai continuar a investigar

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VITÓRIA DE SETÚBAL: FISCO ‘ESCLARECE’ E LITO VIDIGAL AVANÇA COM PENHORA

Uma longa investigação jornalística, que começou no verão de 2019, tem vindo a revelar ao longo do ano os “negócios sombrios” para os lados do Sado. Hoje conhecemos novos desenvolvimentos daquela que parece ser a pior crise de todos os tempos do emblema sadino. Há de tudo: dívidas, penhoras, processos crime, falsificação de documentos e muito mais que ao longo de um ano a Rádio Regional investigou e divulgou.

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Uma longa investigação jornalística, que começou no verão de 2019, tem vindo a revelar ao longo do ano os “negócios sombrios” para os lados do Sado. Hoje conhecemos novos desenvolvimentos daquela que parece ser a pior crise de todos os tempos do emblema sadino. Há de tudo: dívidas, penhoras, processos crime, falsificação de documentos, casos de polícia, violência e muito mais que ao longo de um ano a Rádio Regional investigou e divulgou.


LITO VIDIGAL PENHORA VFC SAD:

A Rádio Regional sabe que Lito Vidigal foi ‘contratado’ a recibos verdes para salvar o clube da despromoção. Lito Vidigal cumpriu, mas o Vitória Futebol Clube (VFC) falhou.

Ao treinador o clube sadino ficou a dever 200.482,19 euros. Na passada quarta-feira, dia 2 de Setembro, o agente de execução António Preto recebeu luz verde para penhorar o Vitória Futebol Clube SAD por ordem do Juíz de Execução de Setúbal 1. É mais um da longa lista de atletas e funcionários que não tem as contas em dia com o emblema sadino e reclama na justiça os seus créditos.

DÍVIDAS AO FISCO ORIGINAM PROCESSO CRIME:

Também a Autoridade Tributária (AT) arrasa as declarações do atual presidente do VFC que ao jornal Record, apontou o dedo ao Fisco alegando que o VFC “apresentou à Autoridade Tributária uma proposta de regularização da sua situação tributária, que, como consta da própria certidão, foi aceite com reserva que não existiria noutra zona do país”.

Mas fonte da Autoridade Tributária garante que o VFC SAD tem dívidas ao Fisco, e garante que o presidente sadino fazia melhor figura se se remete-se ao silêncio: “Se há entidade por quem a administração fiscal fez o possível e o impossível foi o vitória”, garantiu a fonte.

“Foram acordos em cima de acordos, incumprimentos em cima de incumprimentos, o Vitória teve mil oportunidades  (…) também nós ficamos tristes por esta situação, mas as leis são para cumprir e a Autoridade Tributária está obrigada a aplicar a lei em igualdade com todos os contribuintes (…) o que diríamos a outro contribuinte em situação de incumprimento?”, explica fonte da Autoridade Tributária.

A Rádio Regional sabe que Paulo Gomes tentou fazer mais um acordo de pagamento com a AT após o VFC SAD ter falhado os anteriores acordos, inclusivamente o terceiro Plano Especial de Recuperação (PER), que estaria pela terceira vez também em incumprimento. O objetivo era agrupar todas as dívidas para conseguir uma certidão contributiva limpa (sem dívidas) e, assim, “passar” no teste dos pressupostos financeiros exigidos pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) para inscrição nas competições desportivas.

Fonte da Rádio Regional garante que Paulo Gomes terá emitido um cheque sem provisão ao fisco. Agora, além de manter as dívidas, junta um processo crime à longa lista de problemas dos sadinos. Questionada pela Rádio Regional sobre esta situação, a Autoridade Tributária respondeu que “a relação entre o contribuinte e a Administração Fiscal é sigilosa (…) Há legislação e regulamentação que determina com clareza quais os procedimentos obrigatórios perante situações que possam constituir fraude ou crime”.

Sobre os terrenos que Paulo Gomes diz ter apresentado como garantia das dívidas ao Fisco, esclareceu a Rádio Regional junto da AT que “a apresentação um bem idóneo como garantia de uma dívida fiscal é um processo que tem os seus termos e procedimentos próprios até à sua conclusão (…) até que a formalização da garantia esteja concluída, o devedor não deixa de estar em incumprimento perante a Administração Tributária”.


VEJA AINDA:

JUSTIÇA ABRE CAMINHO AO REGRESSO DO CHAVES À PRIMEIRA LIGA E ACABA COM A ESPERANÇA SADINA


REVOLTA E DESTITUIÇÃO À VISTA:

São vários os sócios que manifestaram à Rádio Regional a sua indignação perante a as águas agitadas em que se vai afogando o clube sadino. Quase em uníssono apontam o dedo a Paulo Gomes e ao ex-presidente do emblema Vítor Hugo Valente, exigindo que lhes sida dita a verdade.

Aliás, são muitas as vozes que nas redes sociais e no Bonfim já pedem uma Assembleia Geral Extraordinária para destituição de Paulo Gomes.

O Vitória Futebol Clube não respondeu aos pedidos de esclarecimento da Rádio Regional.


VEJA AINDA:

VITÓRIA DE SETÚBAL: A REPORTAGEM PROIBIDA DO CALVÁRIO SADINO


Reportagem de Vítor Fernandes

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JUSTIÇA ABRE CAMINHO AO REGRESSO DO CHAVES À PRIMEIRA LIGA E ACABA COM A ESPERANÇA SADINA

O Grupo Desportivo de Chaves poderá voltar à Primeira Liga. Em causa está uma nulidade processual do TAD e uma decisão do TCA Sul – Tribunal Central Administrativo que além de trazer de volta o emblema nortenho à primeira liga também acaba com as últimas esperanças do Vitória de Setúbal se manter na primeira liga.

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O Grupo Desportivo de Chaves (GDC) poderá voltar à Primeira Liga. Em causa estão nulidades processuais do Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) e uma decisão do TCA Sul – Tribunal Central Administrativo (TCA- Sul), que além de trazer de volta o emblema nortenho à primeira liga podem também acabar com as últimas esperanças do Vitória de Setúbal (VFC) de se manter na primeira liga.

Francisco Carvalho, presidente do GD Chaves SAD, declarou à Rádio Regional que acredita que se faça justiça com o justo e merecido regresso do Desportivo de Chaves à Primeira Liga.

Está no horizonte uma complexa “tempestade jurídica” de vários processos, em vários tribunais, que envolve o ‘clube do costume’, o Vitória de Setúbal.

Os homens da lei dizem: “A situação que hoje vivemos é o resultado de vários precedentes que ao longo dos anos beneficiaram os sadinos”, dito de outra forma é “o resultado de tapar o sol com a peneira pois nem sempre o gato escondido com rabo de fora dá bom resultado”, proclamam.

Também a liga e a “contabilidade à medida” serão objecto de análise nesta reportagem.

O incumprimento do Vitória de Setúbal dos pressupostos financeiros exigidos pela Liga de Futebol Profissional é polémica antiga. Ano após ano, o clube sadino é sistematicamente alvo de queixas e reclamações por alegadas dívidas que o impossibilitaria de disputar as provas profissionais.

O terceiro Processo Especial de Revitalização (PER) foi apresentado em Janeiro de 2019 mas só no último dia útil de Junho é que chegou ao juiz titular do processo. O VFC SAD teria então que fazer prova que, até 18 de Junho de 2019, não tinha dívidas, nomeadamente a atletas, treinadores, funcionários, Autoridade Tributária (AT), Segurança Social e até a Liga Portuguesa de Clubes Profissional (LPFP).

Acontece que a 18 de Junho de 2019, o terceiro PER do VFC não estava sequer aprovado, e, portanto as dívidas estavam vencidas e a SAD sadina em situação de incumprimento.

A Rádio Regional teve acesso ao processo. Já com data posterior ao termo do prazo do licenciamento das sociedades desportivas pela LPFP, Nuno Lemos, Administrador Judicialm confirma a longa lista de credores na qual constam:

  • Autoridade Tributária: 4.897.272,46 €
  • Segurança Social: 2.416.223,46 €
  • Parvalorem: 3.301.410,13 €
  • SL Benfica: 228.149,82 €
  • Sporting da Covilhã: 37.619,28 €
  • LPFP: 24.538,16 €

Esta lista de dívidas era apenas a ponta do icebergue de uma montanha de dúvidas que, em nome do inquestionável interesse público e pela verdade desportiva, se impunha esclarecer.

A Rádio Regional entrou em campo e numa exaustiva investigação jornalística, que já conta com milhares de documentos e dezenas de testemunhos reunidos ao longo de mais de um ano, confirmou que há de tudo um pouco, desde dívidas, documentos adulterados e até um caso de polícia.


VEJA MAIS AQUI:

VITÓRIA DE SETÚBAL: A REPORTAGEM PROIBIDA DO CALVÁRIO SADINO.


A VISTA GROSSA DO TAD E A CONTABILIDADE À MEDIDA:

O colégio arbitral foi composto por João Miranda (presidente), Jerry da Silva, Nuno Albuquerque e o “habitual” José Ricardo Gonçalves. Em Março e Junho de 2020, e por se tratar de um processo de natureza pública, a Rádio Regional solicitou ao Tribunal Arbitral do Desporto acesso ao processo.

Dia 19 de junho de 2020, o árbitro presidente declarou o processo “findo” e “esgotados os poderes do colégio arbrital”. A Rádio Regional sabe que esta informação não corresponde à verdade. Impunha-se então uma questão fulcral: Afinal o que esconde o TAD ?

Damos a resposta nesta reportagem.

Apesar de todas as lamentáveis e ilegais resistências, a Rádio Regional teve acesso ao processo, percebendo que nem estava findo nem transitado. Pelo contrário, existe um recurso pendente para o TCA Sul.

No TCA Sul debate-se agora um conjunto de nulidades processuais que abrem caminho ao regresso do ‘Chaves’ à Primeira Liga. Segundo os advogados de Direito Desportivo, estão em causa uma série de questões relacionadas com os actos praticados pelo Colégio Arbrital do TAD, que segundo aqueles homens da lei constituem “causa fundada por omissão de pronúncia”.

A Rádio Regional sabe ainda que o TAD só enviou uma parte do processo para o TCA Sul, ocultando desse tribunal superior parte considerável e relevante à análise do processo. Consultado o processo, a Rádio Regional comprovou que já em 10 de Julho de 2020, o TCA Sul requereu ao TAD o envio da totalidade do processo e respectiva gravação do depoimento de testemunhas. Após mais de um mês o TAD não deu cumprimento aquela ordem superior.

Fonte da Rádio Regional garante que as nulidades agora arguidas e os documentos que o TAD ocultou ao TCA Sul podem originar como séria probabilidade do VFC SAD ver a sua inscrição da época 2019/2020 também anulada, tal como já aconteceu na época desportiva 2020/2021.


O QUE ESCONDIA O TAD DA RÁDIO REGIONAL?

Nas consultas aos processos pendentes, quer no TAD quer no TCA Sul, saltam à vista quatro versões diferentes do relatório de contas do Vitória Futebol Clube. Porém, é pela escuta de testemunhas que se percebe que há uma “espécie” de contabilidade à medida das “sugestões” da LPFP.

Das quatro versões do Relatório de Contas, a que a Rádio Regional teve acesso, três estão assinados pelo Revisor Oficial de Contas PLN (siglas para preservação da identidade) e datam de 16 de maio, 24 de maio, 03 de junho, e um último assinado por “pessoa diversa” com data de 06 de junho.

O que entretanto se passa entre estas datas é mais um caso de polícia que a Rádio Regional vai revelar em primeira mão.

A LPFP ao avaliar a candidatura do VFC às provas profissionais verificou uma série de irregularidades no primeiro relatório de contas datado de 16 de maio, assinado por PLN.

Numa segunda versão das contas, o VFC SAD, novamente pela mão do mesmo PLN, “desaparecem” registos contabilísticos de aproximadamente 500 mil euros … mas nem assim passa nos critérios da LPFP.

Na terceira versão das contas, PLN ao serviço do VFC SAD revela ter recebido uma “sugestão” da LPFP e, em resultado, dessa sugestão promove um conjunto de novas alterações, nomeadamente em rubricas especialmente importantes para o cumprimento dos ditos pressupostos financeiros.

Porém, a memória de PLN não lhe permitia “recordar” quem da LPFP lhe recomendou tais alterações. Nos corredores do Bonfim falava-se que havia uma linha directa entre o ex-presidente do VFC, Vítor Hugo Valente, e o próprio presidente da LPFP, Pedro Proença, como, aliás, vários testemunhos que a Rádio Regional recolheu assim sugeriam.

Mesmo assim, a LPFP decide no sentido provável de “chumbar”  a inscrição do VFC na época desportiva profissional 2019/2020 – o que veio acontecer para a nova época 2020/2021 – eis que poucas horas depois o “milagre acontece”.

A Rádio Regional obteve um documento electrónico processado por email da Liga para o Setúbal, datado do dia 05 de Junho, às 22:29 e eis que poucas horas depois, na manhã de 06 de Junho, aparece a quarta versão do Relatório de Contas, incompleta, irregular e no qual “milagrosamente” todos os pressupostos financeiros surgem como cumpridos pelo VFC SAD. Só mais tarde é que se viu que a quarta versão do relatório de contas é agora assinada por CLA (ocultação de identidade por razões de privacidade).

A Rádio Regional também teve acesso ao testemunho de CLA, que, entre as muitas e graves incongruências e inconsistências ao longo do seu testemunho, admitiu que em pleno dia 05 de Junho desconhecia o PER a que a empresa para a qual assinou um Relatório de Contas tinha sido sujeito anteriormente. A realidade ultrapassa a ficção!

Da consulta ao processo, a Rádio Regional verificou que o TAD valorizou como prova o depoimento de um Revisor de Contas cujo relatório de contas é a quarta tentativa de acertar e é resultado de várias adaptações deste documento assinado por um técnico que admitiu desconhecer a contabilidade do VFC SAD.


GRUPO DESPORTIVO DE CHAVES JÁ REAGIU

Francisco Carvalho, presidente da CHAVES SAD, falou com a Rádio Regional e mostrou-se indignado com estas revelações. O responsável deixou claro que apesar de tudo ainda acredita na justiça, porém deixou o aviso: “[o CHAVES SAD] não deixará 1 cêntimo por cobrar aos responsáveis pela despromoção ilegal à segunda liga“, assegurou.

O dirigente desportivo foi mais longe e garantiu que o Grupo Desportivo de Chaves está pronto para assumir o seu merecido lugar na Primeira Liga já amanhã, se for preciso e se a justiça o impuser.

Nem a Liga de Clubes nem o Vitória de Setúbal prestaram qualquer esclarecimento até à hora da publicação desta reportagem.


Uma reportagem de Vítor Fernandes.

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