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VITÓRIA DE SETÚBAL: OS ESTRANHOS NEGÓCIOS SADINOS

Depois da Rádio Regional ter publicado a primeira reportagem subordinada ao ‘calvário sadino’, muitos foram aqueles que, mais ou menos anónimos, ganharam coragem e falaram. No final, reunimos uma verdadeira chuva – não de estrelas, mas de verdadeiros meteoritos – que expuseram um conjunto de ‘estranhos negócios’ que serviu de título da segunda reportagem desta crónica de uma ‘desgraça anunciada’.

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O Sado, que em outros tempos se chamou Sádão, é o único grande rio português que corre em sentido contrário, nasce a sul, na Serra da Vigia, e corre para o norte, desaguando no Oceano Atlântico. Este parece ser o destino traçado ao centenário Vitória Futebol Clube (VFC), que outra hora encheu de orgulho os “meninos e meninas da ribeira do sado” (eternizado musicalmente pelos Adiafa), mas que, agora, parece condenado a navegar em “contramão”, tal como o seu Rio Sado.

Depois da Rádio Regional ter publicado a primeira reportagem VITÓRIA DE SETÚBAL: AS NOVAS REVELAÇÕES DO CALVÁRIO SADINO, muitos foram aqueles que, mais ou menos anónimos, ganharam coragem e falaram.

No final, reunimos uma verdadeira chuva – não de estrelas, mas de verdadeiros meteoritos – que expuseram “ESTRANHOS NEGÓCIOS SADINOS“, título da segunda reportagem desta crónica de uma “desgraça anunciada”. Escolhemos 4, mas há muitos para revelar, quem sabe em próximos capítulos desta saga sadina.


O “PRESENTE ENVENENADO” DA CÂMARA MUNICIPAL DE SETÚBAL:

Ainda mal a primeira reportagem da Rádio Regional tinha sido publicada, já o Presidente da Assembleia Geral do Vitória, Fernando Cardoso Ferreira, convocava uma Assembleia Geral para 17 de Julho de 2019. Na ordem de trabalhos constava: “Informação aos sócios, pela Direcção, das circunstâncias que levaram à doação da Câmara Municipal de Setúbal ao VFC da totalidade das ações detidas pela autarquia na SAD do Clube”.

Dos aproximadamente 24 mil sócios, dos quais 50% são sócios cumpridores (aproximadamente 12 mil têm a quota em dia), compareceram na referida Assembleia Geral 104 sócios. Ou seja, 0,8% dos sócios com a quota em dia (0,43% da totalidade dos sócios). Desses, 81 sócios votaram – e com aclamação – aceitar a doação dos 8% que a autarquia de Setúbal detinha do Vitória Futebol Clube SAD.

A autarquia de Setúbal é liderada por Maria das Dores Marques Banheiro Meira, vencedora das eleições autárquicas em 2009 (38,83%), 2013 (41,93%) e 2017 (49,95%) pelo PCP/CDU. A presidente, que tem ganho popularidade eleitoral na proporção inversa do agravamento da crise do Vitória de Setúbal, justificou esta doação com o argumento que “a cedência da ações permite reforçar o peso do Vitória FC nas decisões de gestão e em nada prejudicará o apoio do município às actividades de desenvolvimento desportivo desenvolvidos pelo clube“.

Mas, após algum (muito) trabalho de investigação, a Rádio Regional está em condições de concluir, com base em documentos e depoimentos credíveis, que não é bem assim. A começar, aquela doação não colheu unanimidade no executivo municipal. Apenas os vereadores comunistas votaram “alinhados” com a presidente e todos os vereadores da oposição votaram contra a proposta, apresentada ainda antes da homologação pelo Tribunal de Setúbal do terceiro Programa Especial de Revitalização (PER) do Vitória de Setúbal (e em bom rigor a insolvência do VFC SAD ainda era uma possibilidade).

Do documento pode-se extrair o resumo da votação à proposta subscrita pela Presidente (F – favorável, C – contra):

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Segundo advogados a quem a Rádio Regional pediu pareceres técnicos, “é totalmente verdade que esta cedência confere ao VFC mais autonomia nas suas decisões, embora que 8% seja uma participação manifestamente minoritária que acaba por ser na prática uma participação irrelevante nas grandes decisões“.

Os especialistas dizem ainda que “não deixa também de ser verdade que a autarquia ao se desfazer de 8% das acções, está objectivamente a reduzir a sua exposição e na prática a transferir ainda mais responsabilidades para o Vitória Futebol Clube, porque assim deixa de responder na sua quota parte de responsabilidades futuras em eventuais incumprimentos da VFC SAD“.

Os mesmos especialistas garantem que com aquela doação a presidente Maria das Dores Marques Banheiro Meira protegeu apenas os interesses das contas da Câmara Municipal de Setúbal, que assim já não será chamada a eventuais responsabilidades legais de accionista.

Já em 2006 a Câmara Municipal de Setúbal doou 32% das acções que detinha no clube, passando a participação da autarquia de 4o% para 8%, mas, à data, o argumento usado foi que “é saudável separar as águas”, independentemente da autarquia considerar “que o Vitória é um dos embaixadores mais gloriosos da cidade“, disse em 2006 o então presidente da autarquia, Carlos Sousa.

Também Jorge Santana, presidente do VFC em 2006, considerou esta primeira doação como um “alívio de um peso para a câmara” apontando o dedo à CDU por exercer pressão política naquele sentido, quando o passivo do clube já ascendia aproximadamente 24 milhões de euros.

A Rádio Regional sabe que já em 2004 o Tribunal de Contas (TdC) fez reparos à generosidade da Câmara Municipal de Setúbal para com o VFC. Um relatório do TdC, a que a Rádio Regional teve acesso, defendia a não “celebração de protocolos com entidades privadas (ex: VFC) cujos efeitos financeiros se revelam prejudiciais para a autarquia, em virtude de acarretarem encargos financeiros dificilmente suportáveis, tendo em conta a situação económica e financeira em que o Município se encontra“.

O mesmo órgão apontou, desta forma, o dedo do incumprimento à autarquia: “Assim sendo, estamos perante o incumprimento de cláusulas obrigatórias do diploma legal em referência, quer por parte da autarquia, quer por parte do VFC, porquanto não cumpriram o conteúdo mínimo obrigatório do contrato-programa, com especial destaque para o sistema de acompanhamento e controlo, o qual também não veio a ser exercido pelas mesmas entidades, aquando da sua execução”, concluindo o TdC que os pagamentos então feitos pela autarquia ao VFC não cumpriram os pressupostos legais.

Saliente-se que não sendo a autarquia detentora de documentos contabilísticos que suportem a realização da despesa inerente ao cumprimento das obrigações assumidas pelo VFC no contratoprograma de desenvolvimento desportivo, das quais não existe evidência de controlo, não é lícito proceder ao pagamento da respectiva comparticipação financeira”, explica o relatório.

Assim, o relatório do Tribunal de Contas dá como “ilegal” pagamentos feitos pela Autarquia ao VFC: “Nesta perspectiva, os pagamentos efectuados pela autarquia no âmbito da comparticipação financeira assumida no presente contrato-programa de desenvolvimento desportivo, constituem pagamentos ilegais”, argumenta aquele órgão soberano.

Sob a liderança na autarquia de Maria das Dores Marques Banheiro Meira as relações entre a câmara e o Vitória Futebol Clube nem sempre foram as melhores. Dos muitos episódios, destaca-se um corte de relações em 2015, quando a própria presidente Maria das Dores Marques Banheiro Meira enviou uma carta, ao então Presidente do VFC, na qual demarca a câmara do incumprimento do clube com as suas obrigações.

“Não contribuiremos para que a direção do clube eleja a Câmara Municipal como bode expiatório de todas as incapacidades que tem revelado e muito menos aceitaremos que faça da edilidade a responsável pelos impasses para que o Vitória Futebol Clube se deixou arrastar, por sua exclusiva responsabilidade”, escreveu, acusando, abertamente, a autarca a então Direcção do VFC de deslealdade, incapacidade e falta de seriedade institucional (recorde-se que em 2015 já decorria um dos vários processos especiais de revitalização do VFC).

Atualmente, o Vitória Futebol Clube SAD já vai no terceiro PER, após os dois anteriores. de 2013 e 2015, não terem sido respeitados, constando dívidas a atletas, treinadores, funcionários, clubes, bancos e ao Estado.

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Na fotografia, um encontro de “presidentes”, Vítor Hugo Valente Presidente do VFC, e Maria das Dores Marques Banheiro Meira presidente da Autarquia de Setúbal.

A ‘INSOLVÊNCIA’ SALVA PELOS MILHÕES DA OPERADORA NOS:

Para o Vitória de Setúbal SAD o ano de 2019 arrancou com mais um PER, já é o terceiro nos últimos nos. A Rádio Regional sabe que as negociações com os maiores credores do Vitória de Setúbal SAD, nomeadamente a Autoridade Tributária (AT), não foram fáceis. Fonte da AT disse à Rádio Regional que o novo PER, o de 2019, só foi possível devido a um contrato assinado entre a operadora NOS e o Vitória Futebol Clube SAD, que prevê que a SAD receba uma média entre 3,4 e 4,3 milhões de euros por ano.

No âmbito desta investigação jornalística, a Rádio Regional teve acesso a esse contrato, assinado pelo próprio Presidente do Conselho de Administração, Miguel Almeida, e pelo Administrador José Pereira da Costa da NOS Lusomundo Audiovisuais SA.

A Operadora NOS é também o “main sponsor” da Liga Nos (Primeira Liga), da qual o Vitória de Setúbal SAD ainda corre o risco de despromoção por causa de recursos apresentados pelo Desportivo de Chaves, que alegam incumprimento dos pressupostos financeiros exigidos pela Liga.

Segundo o plasmando naquele contrato, o Vitória Futebol Clube terá direito às seguintes quantias:

  • Época 2019/2020: 3,4 milhões (mais IVA) pagos em 10 prestações até 30 de Junho de 2020.
  • Época 2020/2021: 3,5 milhões (mais IVA) pagos em 10 prestações até 30 de Junho de 2021.
  • Época 2021/2022: 3,6 milhões (mais IVA) pagos em 10 prestações até 30 de Junho de 2022.
  • Época 2022/2023: 3,7 milhões (mais IVA) pagos em 10 prestações até 30 de Junho de 2023.
  • Época 2023/2024: 3,9 milhões (mais IVA) pagos em 10 prestações até 30 de Junho de 2024.
  • Época 2024/2025: 4,1 milhões (mais IVA) pagos em 10 prestações até 30 de Junho de 2025.
  • Época 2025/2026: 4,3 milhões (mais IVA) pagos em 10 prestações até 30 de Junho de 2026.

O mesmo acordo prevê a redução do pagamento para 600 mil euros/anuais (mais IVA), caso o Vitória Futebol Clube seja despromovido à Segunda Liga.

A este contrato, alguns clubes que pediram anonimato, reagiram com indignação, apontando o dedo ao envolvimento da operadora NOS: “com esses contratos sustentam-se clubes que não reúnem condições de disputar a Primeira Liga em vez de investirem em clubes cumpridores com provas dadas”, acusaram.

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Na fotografia, Miguel Almeida, presidente da NOS; acompanhado de Luís Filipe Vieira e Domingos Soares de Oliveira.

A TRANSFERÊNCIA DO ATLETA VENÂNCIO ACABA EM ‘SUSPEITAS DE BURLA’ :

Chama-se Frederico Venâncio, tem actualmente 26 anos, defesa, um jogador que em 2018 foi transferido do Vitória Futebol Clube (VFC) para o Vitoria Sport Clube (VSC). Venâncio voltava ao Vitória de Setúbal depois de regressar do Sheffield (que joga na Championship) a título de empréstimo. Um negócio entre “vitórias”, um de Setúbal e o outro de Guimarães.

Para que o Vitória de Setúbal pudesse inscrever jogadores da Primeira Liga 2018/2019 precisaria de 100 mil euros, a fim de cumprir com os pressupostos financeiros. A Rádio Regional sabe que o próprio Presidente da Liga, Pedro Proença, que em Junho de 2018 terá dito ao presidente do VFC, Vítor Hugo Valente, que os sadinos ou entregavam os documentos ou “morriam” na praia.

Vítor Hugo Valente andava então “aflito” por 100 mil euros e foi em investidores privados que encontrou a solução. Negociou, assim, uma cessão de créditos resultantes da transferência do atleta Venâncio. Desta feita, foi assinado um contrato de cessão de créditos do Vitória Futebol Clube no montante de 400 mil euros em 11 de janeiro de 2019 a favor de investidores privados, montante esse a ser pago pelo Vitória de Guimarães directamente aos investidores.

O pagamento seria feito em 3 prestações:

  • 100 mil euros referentes a 10-12-2018.
  • 150 mil euros referentes a 10-03-2019.
  • 150 mil euros referentes a 10-07-2019.

Mas a Autoridade Tributária (AT) “troca as voltas” ao negócio e notifica o Vitória de Guimarães e o Vitória de Setúbal da penhora desses créditos, cujas quantias (créditos resultantes da transferência do atleta Venâncio) ficariam “cativas” como garantias para um processo executivo contra o Vitória de Setúbal.

Fonte da AT esclareceu a Rádio Regional que desconhecia a cessão de créditos feita antes da homologação do Plano Especial de Revitalização (PER) em curso. Mas a verdade é que a AT “nem tinha que conhecer porque a Autoridade Tributária terá que assegurar os seus créditos em sede de execução fiscal em conformidade com a lei“, disse.

A mesma fonte esclareceu que a penhora foi feita e notificada ao executado Vitória de Setúbal e ao Vitória de Guimarães, quantia essa que, ainda segundo a AT, “deve ficar cativa para depois ser entregue à ordem do processo executivo”, conclui.

No referido contrato de cessão de créditos pode ler-se que “o cedente (Vitória de Setúbal) compromete-se com os concessionários (investidores) em informar prontamente de quaisquer processos judiciais que possam afectar materialmente os direitos de créditos cedidos”. É aqui que os credores apontam o dedo a Vítor Hugo Valente, acusando mesmo a direcção do Vitória de Setúbal de burla.

A Rádio Regional teve acesso ao contrato de Cessão de Direitos de Crédito, onde se pode ver:

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Em conclusão, a cessão de créditos de 400 mil euros que serviria para pagar dívidas do Vitória de Setúbal a credores, acaba, na prática, por reverter a favor do próprio devedor, o Vitória de Setúbal, ao ser usado para amortizar uma dívida deste à fazenda pública.

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Na Fotografia, Frederico Venâncio, jogador transferido do Vitória de Setúbal (VFC) para o Vitória de Guimarães (VSC), cujos contornos ganham agora suspeita de “burla” apontada por empresários ao VFC.

A INSCRIÇÃO DE KGAOGELO SEKGOTA (KIGI):

O calvário sadino que se repete ano após ano é argumento para todo o tipo de especulações de negócios feitos à medida do cumprimento da agenda desportiva do Vitória Futebol Clube (VFC). No decorrer da investigação jornalística da Rádio Regional foram vários os casos de atletas cuja inscrição merece dúvidas e várias denúncias recebidas por empresários e representantes de atletas.

O atleta Kgaogelo Sekgota (Kigi) é um dos casos. Um jovem nascido em 1997 na África do Sul. Em 2018, veio da Lituânia para Portugal atrás do sonho de ser um grande futebolista depois de jogar no Stumbras FC (um clube da Lituânia). Talento não lhe falta, é na velocidade e “tecnicidade” que ele promete destacar-se. Representado até 1 de Julho pela filial Portuguesa da Soccer Features Limited.

São os próprios agentes que acusam directamente o Vitória Futebol Clube de terem “falsificado” a inscrição do atleta, denunciando um “sofisticado sistema” que, segundo os agentes do atleta, envolverá o próprio Vítor Hugo Valente, Rodolfo Vaz e José Condeças, directores da VFC SAD como responsáveis.

A Rádio Regional teve acesso a dois contratos de trabalho entre o atleta “Kigi” e o Vitória Futebol Clube, mas estranho é que existe um terceiro contrato, diferente dos anteriores, sendo que os agentes não reconhecem esse contrato como verdadeiro.

Dos documentos que a Rádio Regional dispõe, há dois contratos com os seguintes termos:

CONTRATO DE TRABALHO DESPORTIVO: Assinado em 15-10-2018, válido entre 15-10-2018 e 30-06-2020; para a categoria SUB-23. Como se pode ver no contrato a que a Rádio Regional teve acesso;

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CONTRATO DE TRABALHO ENTRE CLUBES E JOGADORES SUB-23: Assinado em 16-01-2019, válido entre 16/01/2019 e 30/06/2019; para a categoria SUB-23. Como se pode ver no contrato a que a Rádio Regional teve acesso;

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Mas fonte da Rádio Regional assegura que existe um terceiro contrato, também na posse da Rádio Regional:

CONTRATO DE TRABALHO ENTRE CLUBES E JOGADORES PROFISSIONAIS: assinado a 16 de Janeiro de 2019 e válido entre 16-01-2019 e 30-06-2021. Analisado ao detalhe, percebe-se que um contrato assinado em 16/01/2019 tem assinatura reconhecida em 18/10/2018, e dele não consta uma da partes contratuais (os agentes do atleta, que também desconhecem o documento que constará nos registos de inscrição do jogador), o que faz levantar sérias e fundadas dúvidas.

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A Rádio Regional sabe que tanto a Federação Portuguesa de Futebol como a Liga Portuguesa de Futebol estão a investigar o caso, mas ambas, contactadas pelo Rádio Regional, optaram por não prestar declarações.

Esse mesmo atleta foi usado em alguns jogos, entre os quais, em 12 de maio de 2019. contra o Desportivo de Chaves, jornada 33 da Primeira Liga 2018/2019. O atleta Kgaogelo Sekgote “Kigi” figurou com a camisola número 26, como suplente mas entrou em jogo aos 68 minutos. O jogo, realizado em Chaves, terminou com a vitória do Vitória Futebol Clube por 1-2 com golos de Allef aos 6 minutos e Fréderic Mendy aos 15 minutos e com o Chaves a reduzir aos 68 minutos por golo de Bruno Gallo.

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Na fotografia, Kigi, o reforço do VFC anunciado em Janeiro de 2019, no jogo frente ao Chaves, cuja vitória pertenceu aos sadinos.

Até à hora da publicação desta reportagem, o presidente do VFC, Vítor Hugo Valente, declinou todos os pedidos de esclarecimentos sobre estes e outros casos, que a Rádio Regional vai continuar a investigar

ESPECIAL

VITÓRIA DE SETÚBAL: FISCO ‘ESCLARECE’ E LITO VIDIGAL AVANÇA COM PENHORA

Uma longa investigação jornalística, que começou no verão de 2019, tem vindo a revelar ao longo do ano os “negócios sombrios” para os lados do Sado. Hoje conhecemos novos desenvolvimentos daquela que parece ser a pior crise de todos os tempos do emblema sadino. Há de tudo: dívidas, penhoras, processos crime, falsificação de documentos e muito mais que ao longo de um ano a Rádio Regional investigou e divulgou.

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Uma longa investigação jornalística, que começou no verão de 2019, tem vindo a revelar ao longo do ano os “negócios sombrios” para os lados do Sado. Hoje conhecemos novos desenvolvimentos daquela que parece ser a pior crise de todos os tempos do emblema sadino. Há de tudo: dívidas, penhoras, processos crime, falsificação de documentos, casos de polícia, violência e muito mais que ao longo de um ano a Rádio Regional investigou e divulgou.


LITO VIDIGAL PENHORA VFC SAD:

A Rádio Regional sabe que Lito Vidigal foi ‘contratado’ a recibos verdes para salvar o clube da despromoção. Lito Vidigal cumpriu, mas o Vitória Futebol Clube (VFC) falhou.

Ao treinador o clube sadino ficou a dever 200.482,19 euros. Na passada quarta-feira, dia 2 de Setembro, o agente de execução António Preto recebeu luz verde para penhorar o Vitória Futebol Clube SAD por ordem do Juíz de Execução de Setúbal 1. É mais um da longa lista de atletas e funcionários que não tem as contas em dia com o emblema sadino e reclama na justiça os seus créditos.

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DÍVIDAS AO FISCO ORIGINAM PROCESSO CRIME:

Também a Autoridade Tributária (AT) arrasa as declarações do atual presidente do VFC que ao jornal Record, apontou o dedo ao Fisco alegando que o VFC “apresentou à Autoridade Tributária uma proposta de regularização da sua situação tributária, que, como consta da própria certidão, foi aceite com reserva que não existiria noutra zona do país”.

Mas fonte da Autoridade Tributária garante que o VFC SAD tem dívidas ao Fisco, e garante que o presidente sadino fazia melhor figura se se remete-se ao silêncio: “Se há entidade por quem a administração fiscal fez o possível e o impossível foi o vitória”, garantiu a fonte.

“Foram acordos em cima de acordos, incumprimentos em cima de incumprimentos, o Vitória teve mil oportunidades  (…) também nós ficamos tristes por esta situação, mas as leis são para cumprir e a Autoridade Tributária está obrigada a aplicar a lei em igualdade com todos os contribuintes (…) o que diríamos a outro contribuinte em situação de incumprimento?”, explica fonte da Autoridade Tributária.

A Rádio Regional sabe que Paulo Gomes tentou fazer mais um acordo de pagamento com a AT após o VFC SAD ter falhado os anteriores acordos, inclusivamente o terceiro Plano Especial de Recuperação (PER), que estaria pela terceira vez também em incumprimento. O objetivo era agrupar todas as dívidas para conseguir uma certidão contributiva limpa (sem dívidas) e, assim, “passar” no teste dos pressupostos financeiros exigidos pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) para inscrição nas competições desportivas.

Fonte da Rádio Regional garante que Paulo Gomes terá emitido um cheque sem provisão ao fisco. Agora, além de manter as dívidas, junta um processo crime à longa lista de problemas dos sadinos. Questionada pela Rádio Regional sobre esta situação, a Autoridade Tributária respondeu que “a relação entre o contribuinte e a Administração Fiscal é sigilosa (…) Há legislação e regulamentação que determina com clareza quais os procedimentos obrigatórios perante situações que possam constituir fraude ou crime”.

Sobre os terrenos que Paulo Gomes diz ter apresentado como garantia das dívidas ao Fisco, esclareceu a Rádio Regional junto da AT que “a apresentação um bem idóneo como garantia de uma dívida fiscal é um processo que tem os seus termos e procedimentos próprios até à sua conclusão (…) até que a formalização da garantia esteja concluída, o devedor não deixa de estar em incumprimento perante a Administração Tributária”.


VEJA AINDA:

JUSTIÇA ABRE CAMINHO AO REGRESSO DO CHAVES À PRIMEIRA LIGA E ACABA COM A ESPERANÇA SADINA


REVOLTA E DESTITUIÇÃO À VISTA:

São vários os sócios que manifestaram à Rádio Regional a sua indignação perante a as águas agitadas em que se vai afogando o clube sadino. Quase em uníssono apontam o dedo a Paulo Gomes e ao ex-presidente do emblema Vítor Hugo Valente, exigindo que lhes sida dita a verdade.

Aliás, são muitas as vozes que nas redes sociais e no Bonfim já pedem uma Assembleia Geral Extraordinária para destituição de Paulo Gomes.

O Vitória Futebol Clube não respondeu aos pedidos de esclarecimento da Rádio Regional.


VEJA AINDA:

VITÓRIA DE SETÚBAL: A REPORTAGEM PROIBIDA DO CALVÁRIO SADINO


Reportagem de Vítor Fernandes

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JUSTIÇA ABRE CAMINHO AO REGRESSO DO CHAVES À PRIMEIRA LIGA E ACABA COM A ESPERANÇA SADINA

O Grupo Desportivo de Chaves poderá voltar à Primeira Liga. Em causa está uma nulidade processual do TAD e uma decisão do TCA Sul – Tribunal Central Administrativo que além de trazer de volta o emblema nortenho à primeira liga também acaba com as últimas esperanças do Vitória de Setúbal se manter na primeira liga.

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O Grupo Desportivo de Chaves (GDC) poderá voltar à Primeira Liga. Em causa estão nulidades processuais do Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) e uma decisão do TCA Sul – Tribunal Central Administrativo (TCA- Sul), que além de trazer de volta o emblema nortenho à primeira liga podem também acabar com as últimas esperanças do Vitória de Setúbal (VFC) de se manter na primeira liga.

Francisco Carvalho, presidente do GD Chaves SAD, declarou à Rádio Regional que acredita que se faça justiça com o justo e merecido regresso do Desportivo de Chaves à Primeira Liga.

Está no horizonte uma complexa “tempestade jurídica” de vários processos, em vários tribunais, que envolve o ‘clube do costume’, o Vitória de Setúbal.

Os homens da lei dizem: “A situação que hoje vivemos é o resultado de vários precedentes que ao longo dos anos beneficiaram os sadinos”, dito de outra forma é “o resultado de tapar o sol com a peneira pois nem sempre o gato escondido com rabo de fora dá bom resultado”, proclamam.

Também a liga e a “contabilidade à medida” serão objecto de análise nesta reportagem.

O incumprimento do Vitória de Setúbal dos pressupostos financeiros exigidos pela Liga de Futebol Profissional é polémica antiga. Ano após ano, o clube sadino é sistematicamente alvo de queixas e reclamações por alegadas dívidas que o impossibilitaria de disputar as provas profissionais.

O terceiro Processo Especial de Revitalização (PER) foi apresentado em Janeiro de 2019 mas só no último dia útil de Junho é que chegou ao juiz titular do processo. O VFC SAD teria então que fazer prova que, até 18 de Junho de 2019, não tinha dívidas, nomeadamente a atletas, treinadores, funcionários, Autoridade Tributária (AT), Segurança Social e até a Liga Portuguesa de Clubes Profissional (LPFP).

Acontece que a 18 de Junho de 2019, o terceiro PER do VFC não estava sequer aprovado, e, portanto as dívidas estavam vencidas e a SAD sadina em situação de incumprimento.

A Rádio Regional teve acesso ao processo. Já com data posterior ao termo do prazo do licenciamento das sociedades desportivas pela LPFP, Nuno Lemos, Administrador Judicialm confirma a longa lista de credores na qual constam:

  • Autoridade Tributária: 4.897.272,46 €
  • Segurança Social: 2.416.223,46 €
  • Parvalorem: 3.301.410,13 €
  • SL Benfica: 228.149,82 €
  • Sporting da Covilhã: 37.619,28 €
  • LPFP: 24.538,16 €

Esta lista de dívidas era apenas a ponta do icebergue de uma montanha de dúvidas que, em nome do inquestionável interesse público e pela verdade desportiva, se impunha esclarecer.

A Rádio Regional entrou em campo e numa exaustiva investigação jornalística, que já conta com milhares de documentos e dezenas de testemunhos reunidos ao longo de mais de um ano, confirmou que há de tudo um pouco, desde dívidas, documentos adulterados e até um caso de polícia.


VEJA MAIS AQUI:

VITÓRIA DE SETÚBAL: A REPORTAGEM PROIBIDA DO CALVÁRIO SADINO.


A VISTA GROSSA DO TAD E A CONTABILIDADE À MEDIDA:

O colégio arbitral foi composto por João Miranda (presidente), Jerry da Silva, Nuno Albuquerque e o “habitual” José Ricardo Gonçalves. Em Março e Junho de 2020, e por se tratar de um processo de natureza pública, a Rádio Regional solicitou ao Tribunal Arbitral do Desporto acesso ao processo.

Dia 19 de junho de 2020, o árbitro presidente declarou o processo “findo” e “esgotados os poderes do colégio arbrital”. A Rádio Regional sabe que esta informação não corresponde à verdade. Impunha-se então uma questão fulcral: Afinal o que esconde o TAD ?

Damos a resposta nesta reportagem.

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Apesar de todas as lamentáveis e ilegais resistências, a Rádio Regional teve acesso ao processo, percebendo que nem estava findo nem transitado. Pelo contrário, existe um recurso pendente para o TCA Sul.

No TCA Sul debate-se agora um conjunto de nulidades processuais que abrem caminho ao regresso do ‘Chaves’ à Primeira Liga. Segundo os advogados de Direito Desportivo, estão em causa uma série de questões relacionadas com os actos praticados pelo Colégio Arbrital do TAD, que segundo aqueles homens da lei constituem “causa fundada por omissão de pronúncia”.

A Rádio Regional sabe ainda que o TAD só enviou uma parte do processo para o TCA Sul, ocultando desse tribunal superior parte considerável e relevante à análise do processo. Consultado o processo, a Rádio Regional comprovou que já em 10 de Julho de 2020, o TCA Sul requereu ao TAD o envio da totalidade do processo e respectiva gravação do depoimento de testemunhas. Após mais de um mês o TAD não deu cumprimento aquela ordem superior.

Fonte da Rádio Regional garante que as nulidades agora arguidas e os documentos que o TAD ocultou ao TCA Sul podem originar como séria probabilidade do VFC SAD ver a sua inscrição da época 2019/2020 também anulada, tal como já aconteceu na época desportiva 2020/2021.


O QUE ESCONDIA O TAD DA RÁDIO REGIONAL?

Nas consultas aos processos pendentes, quer no TAD quer no TCA Sul, saltam à vista quatro versões diferentes do relatório de contas do Vitória Futebol Clube. Porém, é pela escuta de testemunhas que se percebe que há uma “espécie” de contabilidade à medida das “sugestões” da LPFP.

Das quatro versões do Relatório de Contas, a que a Rádio Regional teve acesso, três estão assinados pelo Revisor Oficial de Contas PLN (siglas para preservação da identidade) e datam de 16 de maio, 24 de maio, 03 de junho, e um último assinado por “pessoa diversa” com data de 06 de junho.

O que entretanto se passa entre estas datas é mais um caso de polícia que a Rádio Regional vai revelar em primeira mão.

A LPFP ao avaliar a candidatura do VFC às provas profissionais verificou uma série de irregularidades no primeiro relatório de contas datado de 16 de maio, assinado por PLN.

Numa segunda versão das contas, o VFC SAD, novamente pela mão do mesmo PLN, “desaparecem” registos contabilísticos de aproximadamente 500 mil euros … mas nem assim passa nos critérios da LPFP.

Na terceira versão das contas, PLN ao serviço do VFC SAD revela ter recebido uma “sugestão” da LPFP e, em resultado, dessa sugestão promove um conjunto de novas alterações, nomeadamente em rubricas especialmente importantes para o cumprimento dos ditos pressupostos financeiros.

Porém, a memória de PLN não lhe permitia “recordar” quem da LPFP lhe recomendou tais alterações. Nos corredores do Bonfim falava-se que havia uma linha directa entre o ex-presidente do VFC, Vítor Hugo Valente, e o próprio presidente da LPFP, Pedro Proença, como, aliás, vários testemunhos que a Rádio Regional recolheu assim sugeriam.

Mesmo assim, a LPFP decide no sentido provável de “chumbar”  a inscrição do VFC na época desportiva profissional 2019/2020 – o que veio acontecer para a nova época 2020/2021 – eis que poucas horas depois o “milagre acontece”.

A Rádio Regional obteve um documento electrónico processado por email da Liga para o Setúbal, datado do dia 05 de Junho, às 22:29 e eis que poucas horas depois, na manhã de 06 de Junho, aparece a quarta versão do Relatório de Contas, incompleta, irregular e no qual “milagrosamente” todos os pressupostos financeiros surgem como cumpridos pelo VFC SAD. Só mais tarde é que se viu que a quarta versão do relatório de contas é agora assinada por CLA (ocultação de identidade por razões de privacidade).

A Rádio Regional também teve acesso ao testemunho de CLA, que, entre as muitas e graves incongruências e inconsistências ao longo do seu testemunho, admitiu que em pleno dia 05 de Junho desconhecia o PER a que a empresa para a qual assinou um Relatório de Contas tinha sido sujeito anteriormente. A realidade ultrapassa a ficção!

Da consulta ao processo, a Rádio Regional verificou que o TAD valorizou como prova o depoimento de um Revisor de Contas cujo relatório de contas é a quarta tentativa de acertar e é resultado de várias adaptações deste documento assinado por um técnico que admitiu desconhecer a contabilidade do VFC SAD.


GRUPO DESPORTIVO DE CHAVES JÁ REAGIU

Francisco Carvalho, presidente da CHAVES SAD, falou com a Rádio Regional e mostrou-se indignado com estas revelações. O responsável deixou claro que apesar de tudo ainda acredita na justiça, porém deixou o aviso: “[o CHAVES SAD] não deixará 1 cêntimo por cobrar aos responsáveis pela despromoção ilegal à segunda liga“, assegurou.

O dirigente desportivo foi mais longe e garantiu que o Grupo Desportivo de Chaves está pronto para assumir o seu merecido lugar na Primeira Liga já amanhã, se for preciso e se a justiça o impuser.

Nem a Liga de Clubes nem o Vitória de Setúbal prestaram qualquer esclarecimento até à hora da publicação desta reportagem.


Uma reportagem de Vítor Fernandes.

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VITÓRIA DE SETÚBAL: FPF DECLARA-SE ‘INCOMPETENTE’ E REMETE PARA O TAD

O Conselho de Justiça (CJ) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) decidiu por unanimidade que se considera incompetente para apreciar o recurso do Vitória de Setúbal depois da LPFP ter reprovado os processos de licenciamento (inscrição nas provas profissionais).

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O Conselho de Justiça (CJ) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) decidiu por unanimidade que se considera incompetente para apreciar a matéria de facto constante no recurso apresentado pelo Vitória de Setúbal depois de a Comissão de Auditoria da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) ter reprovado os processos de licenciamento (inscrição nas provas profissionais).

Em causa estavam pressupostos financeiros incumpridos: o clube não conseguiu apresentar prova de “inexistência de dívidas a sociedades desportivas”, a “inexistência de dívidas a jogadores, treinadores e funcionários”, assim como “a regularidade da situação contributiva perante a Autoridade Tributária”, segundo a LPFP.

Fonte da Autoridade Tributária garantiu à Rádio Regional que o devedor [VFC SAD] não tinha a sua situação formalmente regularizada; e portanto estava em situação de incumprimento perante o Estado; esclarecendo  ainda, que “a apresentação de garantia idónea, normalmente prédios urbanos ou rústicos, é um processo que corre os seus termos e até sua conclusão o devedor [VFC SAD] continua em situação de incumprimento perante a fazenda pública“.

Paulo Gomes, Presidente do VFC SAD entretanto publicou um comunicado onde se pode ler “O CJ declarou ser materialmente incompetente para analisar o processo, remetendo o mesmo para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAD). Uma decisão que nos encaminha para aquele que era o cenário mais expectável“.

Especialistas em direito desportivo dividem-se nas opiniões e não partilham do otimismo de Paulo Gomes, “desde logo porque começa a ser habitual ano após ano o Conselho de Justiça da FPF ter que se pronunciar sobre as sucessivas suspeitas de incumprimento dos pressupostos financeiros por porte do Vitória de Setúbal, mas também porque os pressupostos financeiros em questão não são substitutivos mas sim cumulativos, ou seja, é preciso que todos os requisitos sejam efetivamente cumpridos, e parece claro que o VFC SAD não terá os preenchido todos os requisitos nas mesmas circunstancias e limitações que o Covid-19 colocou a todos os clubes de todas a regiões” argumentam os homens da lei.


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Também o Casa Pia e Olhanense contestaram a conclusão precoce das competições, devido à pandemia de covid-19, que deixaram os dois clubes no Campeonato de Portugal, os lisboetas por ocuparem o 18.º e último lugar da II Liga e os algarvios por não estarem entre os dois líderes do terceiro escalão com mais pontos, na altura do encerramento da prova. Também nestes processos a FPF se declarou incompetente, devendo os processos seguir para o TAD – Tribunal Arbitral do Desporto.

Todos os clubes foram notificados das decisões do Conselho de Justiça da FPF ao final do dia de ontem.

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VITÓRIA DE SETÚBAL: A REPORTAGEM PROIBIDA DO CALVÁRIO SADINO

É uma história antiga a que o mundo desportivo já se habituou. Neste ano o Vitória Futebol Clube não terá provado o cumprimento dos pressupostos financeiros. Conheça aqui o calvário sadino que neste ultimo ano levou ao momento mais negro da história deste clube centenário.

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Todos os anos a história repete-se. O mesmo ritual, o protagonista do costume. O Vitória de Setúbal apontado como um incumpridor crónico tem vivido numa incessante agonia financeira e, consequentemente, desportiva.

Um calvário de ex-atletas, ex-treinadores, empresários, agentes, funcionários, e organismos desportivos que em comum se queixam do mesmo em uníssono: Longas e exaustivas listas de créditos. Até o Estado, através da Autoridade Tributária e Segurança Social se juntam ao coro e estão nas longas listas de credores dos vários PER’s que revelam um constante risco de insolvência.

O verão de 2019 ficou marcado com a reportagem da Rádio Regional que denunciava a utilização de um atleta, alegadamente em situação irregular, no jogo com o Desportivo de Chaves, precisamente no jogo entre os dois emblemas e decisivo na diferença de pontos necessárias à permanência do emblema transmontano na Primeira Liga.

Rodolfo Vaz, então diretor desportivo do Vitória de Setúbal, acaba por “confessar” não ter enviado os documentos necessários e obrigatórios à inscrição de atletas (com data/hora limite) devido ao “stress”. Deste modo, o Vitória de Setúbal terá jogado com um atleta em situação irregular, violação que é punível com a derrota nos jogos em que esse atleta jogar.

Este “estranho caso sadino” e os documentos em causa foram alvo de uma reportagem da Rádio Regional e de uma investigação da Federação Portuguesa de Futebol, que pode ler AQUI.

A Rádio Regional continuou a investigar e encontrou um conjunto de indícios de adulteração e/ou falsificação das certidões de não dívida à Segurança Social e Autoridade Tributária (AT), apresentados nas últimas horas do prazo limite de inscrição do clube. Veja a reportagem que denunciou um autêntico ‘caso de polícia’ AQUI.


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A Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), liderada por Pedro Proença, tornou-se o alvo das reclamações do Grupo Desportivo de Chaves, que protesta o alegado incumprimento dos pressupostos financeiros obrigatórios para inscrição do Vitória de Setúbal nas competições profissionais.

Certo é que por duas vezes consecutivas o organismo liderado por Pedro Proença terá feito ‘vista grossa’ aos documentos que o Vitória Futebol Clube (VFC) apresentou junto da Liga. Perante estas evidências, Pedro Proença justifica-se com abertura de um processo disciplinar a um funcionário da LPFP.

Entretanto, nas sombras do Bonfim prepara-se uma revolução. Vítor Hugo Valente, ex-presidente do VFC, foi vítima de um “golpe de estado”, protagonizado precisamente pelo seu homem de confiança, o vice-presidente Paulo Gomes.

Uma semana depois do VFC comemorar o 109º aniversário, uma festa com toda a pompa e circunstância e que contou com a presença de Pedro Proença, a 27 de Novembro de 2019 o Vitória é alvo de penhoras das contas bancárias e do autocarro. Desta vez é o ex-director desportivo, Paulo Grencho, que reclama os seus créditos por via judicial.


ALGO IA MAL NO EMBLEMA SADINO

A Rádio Regional sabe que já nessa altura Vítor Hugo Valente era um “incómodo” para o seu vice-presidente, e o plano de demissão e consequente candidatura estava a ser preparado.

Num comunicado, os homens que antes tinham jurado fidelidade e compromisso ao projeto de Vítor Hugo Valente justificaram que “esgotadas todas as possibilidades de diálogo, entendem estes elementos não ser benéfico para o clube a continuidade de um projeto ferido na sua essência”.

No dia 18 de Dezembro “estala o verniz” e a equipa de gestão demite-se em bloco, obrigando à realização e eleições. Um mês depois, por apenas 144 votos o antigo vice-presidente Paulo Gomes vence as eleições ao agora ex- presidente Vítor Hugo Valente.

Dia 21 de Janeiro, Paulo Gomes tomou posse e prometeu “trabalho e dedicação” na liderança do emblema sadino, mas o que veio a seguir foram cenas de um filme já conhecido.


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É no Tribunal Arbitral do Desporto que se passam as cenas dos próximos capítulos. Em causa estava averiguar o cumprimento dos pressupostos financeiros e o uso de documentos alegadamente adulterados e/ou falsificados. O colégio arbitral foi composto por João Miranda (presidente), Jerry da Silva, Nuno Albuquerque e o “habitual” José Ricardo Gonçalves.

Fontes da Rádio Regional garantem que nesse processo terão sido apresentados documentos adulterados e/ou falsificados com o objectivo de demonstrar que o emblema sadino terá cumprido os pressupostos financeiros exigíveis à inscrição do clube nas provas profissionais. Era agora de manifesto interesse público serem esclarecidas as dúvidas legais suscitadas.

Em Março e Junho de 2020, e por se tratar de um processo de natureza pública, a Rádio Regional solicitou ao Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) acesso ao processo, que acabou por ter, depois de lamentáveis e ilegais resistências.

Desde logo salta à vista o requerimento do Grupo Desportivo de Chaves que, entre outras questões levantadas, requer esclarecimentos à Autoridade Tributária e Segurança Social sobre as certidões apresentadas pelo VFC SAD.

A este pedido, essencial à descoberta material da verdade, o TAD responde: “Por sua vez, a notificação da Autoridade Tributária e Aduaneira requerida pela Demandante afigura-se inútil, uma vez que já se encontram juntas aos autos as respetivas certidões necessárias, para ser proferida a decisão pelo Colégio Arbitral”, pode ler-se em despacho do Tribunal Arbitral.

Mais adiante neste processo, decide o TAD que se encontra demonstrada a veracidade da certidão da Autoridade Tributária datada de 21 de Junho, mas a certidão em causa é datada de 18 de Junho (último dia do prazo legal), além disso, fonte da Autoridade Tributária e o próprio Chefe da Repartição de Finanças garantem que aquele documento foi adulterado e/ou falsificado. De igual modo, a certidão da Segurança Social não atesta a situação da “sociedade desportiva” mas sim do “clube” (entidades juridicamente distintas). Reportagem que pode ser ler lida AQUI.

Vem entretanto a LPFP dizer em requerimento que, “resulta, conforme se adiantou, bastamente documentado nos autos, inclusivamente através de documentos autênticos cuja veracidade, aliás, escapa ao âmbito do presente processo”, dando conta que se demite da responsabilidade no apuramento da autenticidade e/ou veracidade dos documentos que lhe são apresentados.

Certo é que do processo a que a Rádio Regional teve acesso percebe-se que é o próprio TAD a não admitir a diligência essencial de requerer à Autoridade Tributária e Segurança Social o esclarecimento sobre a autenticidade e/ou veracidade das certidões apresentadas pelo VFC SAD.

O TAD NÃO ESCLARECE, NEM PERMITE ESCLARECER, A QUEM CABE AFINAL A VERIFICAÇÃO DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS PELAS SOCIEDADES DESPORTIVAS.

Certo ainda é que a única certidão da AT “válida” apresentada pela VFC SAD é apresentada fora de prazo e é datada de 21 de Junho, o mesmo dia em que a Direcção Executiva da LPFP decide validar a inscrição da VFC SAD nas competições profissionais 2019/2020. Coincidência ou não, vem de encontro aos rumores que circulavam no Bonfim sobre um “alegado manto protector” dos vizinhos do Seixal e de Pedro Proença.

Não foi preciso esperar muito para que esse “alegado manto protector” desse os seus frutos e é aqui que Paulo Gonçalves e o SL Benfica entram em jogo. Dos vários negócios entre os dois emblemas descobre-se agora, pelo relatório de contas do SL Benfica, que o clube da luz pagou 2,75 milhões de euros pelo jogador Cádiz, embora oficialmente só fosse negociado por 1,5 milhões de euros.A diferença de 1,25 milhões de euros desaparece num negócio “opaco” que envolve como intermediário a empresa ProFute, de Paulo Gonçalves, o SL Benfica e o atual presidente da VFC SAD, Paulo Gomes (administrador à data). Nesta altura os rumores que circulavam no Bonfim referiam-se ao SL Benfica e Paulo Gonçalves como o “abono de família do Vitória“.


O MAR DE INCERTEZAS PROMETIA IR MAIS LONGE:

É ainda no âmbito do TAD, que em poucas semanas o Revisor de Contas (SROC) que dá o dito pelo não dito, e de uma pretensa dívida ao SL Benfica de 228 mil euros euros surge “milagrosamente” liquidada num outro parecer do mesmo SROC pouco tempo depois (dado que não podem existir dívidas entre sociedades desportivas).

Fontes da Rádio Regional garantem que também para a época desportiva 2020/2021 o Vitória de Setúbal voltou a ser questionado pelos mesmos “vícios”, nomeadamente pela existência de dívidas a outras sociedades desportivas, a atletas e/ou treinadores, e ao fisco. Exatamente o mesmo que levou aos protestos do Grupo Desportivo de Chaves na época desportiva anterior.

Sabe-se agora que a dívida ao Estoril Praia Futebol SAD, inicialmente denunciada pelo Desportivo de Chaves, foi considerada “aparentemente regularizada” pelo TAD com base em documentos apresentados pelo VFC SAD, documentos que o TAD impediu que fossem consultados pela Rádio Regional. Não tardou que fosse o Estoril Futebol SAD a confirmar a existência de dívidas do VFC SAD deixando “no ar” mais uma eventual adulteração e/ou falsificação de documentos que serviram de prova ao Tribunal Arbitral do Desporto.

Fonte da Autoridade Tributária garante que o VFC SAD não tem sua situação formalmente regularizada (daí o incumprimento dos pressupostos financeiros para a época 2020/2021) nem a tinha formalmente regularizada em 18 de Junho de 2019 (referente à época desportiva 2019/2020), continuando a não considerar válida a declaração “manuscrita” e alegadamente emitida no ano passado pelo Chefe da Repartição de Finanças Setúbal-2 em 18 de Junho 2019 (que entretanto negou que a tivesse emitido).

Ano após ano que os fantasmas da insolvência pairam sob o Vitória de Setúbal, que, coincidência ou não, acaba de ceder o direito de superfície do Estádio do Bonfim à Câmara Municipal de Setúbal por 300 mil euros, direito este já hipotecado ao Millenium BCP.

A mesma autarquia no verão do ano passado cedeu gratuitamente todas as ações que detinha no Vitória, argumentando que “a cedência da ações permite reforçar o peso do Vitória FC nas decisões de gestão e em nada prejudicará o apoio do município às actividades de desenvolvimento desportivo desenvolvidos pelo clube”.

No entanto, a Rádio Regional sabe que na verdade a autarquia ao se desfazer de 8% das acções (chegou a deter 32%), está objectivamente a proteger-se e a transferir ainda mais responsabilidades para o Vitória Futebol Clube. Também este negócio sadino foi investigado pela Rádio Regional, veja AQUI.


A DESPROMOÇÃO AO CAMPEONATO NACIONAL:

Com a despromoção da VFC SAD ao Campeonato de Portugal (vulgo terceira divisão), é esperado um fortíssimo impacto financeiro nas contas do emblema sadino pela mais que esperada perda de receitas televisivas. Fonte da Autoridade Tributária (um dos maiores credores do VFC) garantiu à Rádio Regional que o terceiro Plano Especial de Recuperação (PER), apresentado em 2019, só foi possível devido a um contrato assinado entre a operadora NOS e o Vitória Futebol Clube SAD e que previa uma receita importante e decisiva para a viabilidade daquele PER.

No âmbito desta investigação jornalística, a Rádio Regional teve acesso a esse contrato, assinado pelo próprio Presidente do Conselho de Administração, Miguel Almeida, e pelo Administrador José Pereira da Costa da NOS Lusomundo Audiovisuais SA. Segundo o referido documento, o Vitória Futebol Clube teria direito às seguintes quantias:

  • Época 2019/2020: 3,4 milhões (mais IVA) pagos em 10 prestações até 30 de Junho de 2020.
  • Época 2020/2021: 3,5 milhões (mais IVA) pagos em 10 prestações até 30 de Junho de 2021.
  • Época 2021/2022: 3,6 milhões (mais IVA) pagos em 10 prestações até 30 de Junho de 2022.
  • Época 2022/2023: 3,7 milhões (mais IVA) pagos em 10 prestações até 30 de Junho de 2023.
  • Época 2023/2024: 3,9 milhões (mais IVA) pagos em 10 prestações até 30 de Junho de 2024.
  • Época 2024/2025: 4,1 milhões (mais IVA) pagos em 10 prestações até 30 de Junho de 2025.
  • Época 2025/2026: 4,3 milhões (mais IVA) pagos em 10 prestações até 30 de Junho de 2026.

O mesmo acordo prevê a redução do pagamento para 600 mil euros/anuais (mais IVA), caso o Vitória Futebol Clube fosse despromovido à Segunda Liga. Com a despromoção directa ao Campeonato Nacional, o VFC SAD perde todas estas receitas, nomeadamente o direito imediato de receber 23,1 milhões de euros (entre outras quantias) nas seis épocas desportivas seguintes.

Em Junho e Julho de 2020, e nos termos do Estatuto do Jornalista, foi solicitada à LPFP uma entrevista ao presidente Pedro Proença, que ficou sem resposta. Pretendia-se um esclarecimento sobre as questões que envolvem do Vitória Futebol Clube, os incumprimento dos pressupostos financeiros das épocas desportivas 2019/2020 e 2020/2021 e sobre as conclusões ao processo disciplinar movido ao funcionário FM (sigla para protecção de identidade), do que nunca se soube o desfecho.

Há mais de um ano que a Rádio Regional promoveu uma atenta e exaustiva investigação ao Vitória de Setúbal, reunindo milhares de documentos e dezenas de entrevistas que legitimam o manifesto interesse público. Apesar de todas as ameaças, insultos, tentativas de agressão e de todos os bloqueios no acesso às fontes de informação, a Rádio Regional jamais desistirá da descoberta da verdade, porque, como nos ensinou Galileu Galilei “Não há duas verdades que se contradigam”.

Vítor Fernandes, CP 506-A

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