Felisberto Melo, cego, de 47 anos, queixou-se ao Banco de Portugal depois de a agência do Novo Banco da avenida Lourenço Peixinho, em Aveiro, onde é cliente há 20 anos, lhe ter negado a abertura de uma conta a prazo.
Em causa, diz o banco, está o facto de ser necessária uma assinatura do cliente, que tem de ser reconhecida por um notário. “No meu Cartão de Cidadão diz: ‘Não pode assinar’. Porque além de não ver, não tenho o braço direito nem alguns dedos da mão esquerda, desde os 13 anos, devido a um acidente com um foguete. Sempre abri contas a prazo através de impressão digital. Agora, dizem-me que só o posso fazer se assinar? Isto é discriminação”, contou ao CM Felisberto, que refere ainda que as funcionárias do banco o informaram de que esta foi a primeira vez que um cego pediu para abrir uma conta.
Em 1995, Felisberto criou conta no BES (atual Novo Banco) uma vez que foi o primeiro banco a facultar cartões de débito a cegos. “Antes era bem tratado, mas agora agem como se eu fosse um extraterrestre e não tivesse direitos nenhuns”, acusa, garantindo que pediu o livro de reclamações no dia em que quis abrir a conta, mas que o mesmo lhe foi negado, porque uma reclamação carece de uma assinatura. “Foi o meu pai que teve de expor o caso em meu nome porque eu não posso assinar”, diz. Ao CM, o Novo Banco refere apenas que “já foram enviadas cartas em resposta à reclamação do cliente”, nas quais reiteram a informação prestada pelo balcão de Aveiro.

