Há quem defina demasiados objectivos, há quem defina objectivos demasiado exigentes, há quem tenha dificuldade em encontrar prioridades, há quem prefira não os definir para poder continuar a adiar, há quem não consiga definir objectivos, simplesmente. No entanto, o potencial de um bom objectivo está amplamente suportado pela estrutura que nos fornece.
Venho assim apresentar-lhe um modelo que pretende ajudá-lo/a a formular objectivos que sejam relevantes para si e que o/a ajudem a sentir-se pleno na sua vida. Ele é composto por 5 passos, ora vejamos:
1) Os objectivos devem ser sobre si: Todos temos necessidades psicológicas (como sermos produtivos e, ao mesmo tempo, sermos capazes de relaxar sem sentir culpa ou termos relações significativas, e, também, sermos independentes e auto-determinados) e é o seu preenchimento, ou não, que dita o nosso nível de bem-estar e satisfação global. Logo, precisamos de um certo grau de auto-conhecimento para estarmos em contacto com o que precisamos e isso exige disponibilidade. Os objetivos devem ser formulados tendo como base quem somos.
2) Os objectivos devem ser mensuráveis: Precisamos de explicitar um critério para verificarmos se atingimos ou não um objectivo e que deve incluir condições específicas de realização da tarefa. Pode ser um critério de qualidade (o quão bem deve ser feita uma ação) e/ou de quantidade (quantas vezes). Aqui reside um dos problemas mais comuns nos objetivos quando somos demasiadamente gerais ou pouco concretos.
3) Os objectivos devem ser controláveis: Há sempre muitas variáveis que não controlamos como o comportamento dos outros e os imprevistos e que vão condicionar, e muito, o sucesso do nosso comportamento. Precisamos de reduzir ao máximo tudo isso e focar o objetivo no que conseguimos controlar realmente e que depende, diretamente, das nossas ações e dos recursos que temos disponíveis. Dessa forma, estamos a aumentar a probabilidade de conseguirmos lá chegar.
4) Os objectivos devem ser realistas: Objetivos demasiadamente exigentes têm o poder de elevar o nosso desempenho, implicando um grande esforço para os atingir. Pretendemos melhorar de forma contínua mas sem que isso nos cause ansiedade desnecessária e negativa. Na verdade, o perfecionismo contribui para muitas das nossas dificuldades psicológicas no momento em que deixamos de conseguir saborear as nossas conquistas. Podemos encontrar os nossos pontos fortes e os a melhorar (por exemplo, no nosso papel enquanto pais ou no nosso perfil profissional) e definir objetivos tendo em conta essa mesma reflexão. E assumir perante nós mesmos, mais que tudo, o que conseguimos fazer e o que não conseguimos fazer. Assim, conseguiremos ser mais eficazes e a nossa perceção de autoeficácia sairá beneficiada. O que, curiosamente, nos irá preparar para objetivos mais desafiantes!
5) Formula objectivos pela positiva: Damos tanta importância ao que falta que valorizamos pouco o que temos. Por questões culturais e familiares, podemos ser “programados” a reparar nas falhas de nós mesmos, nas de outros e isso impede-nos de valorizar o que de positivo conseguimos. Começar um objectivo pela palavra “Não” contribui para apontar a nossa consciência para o problema e não para a solução. Ficaremos menos motivados e menos criativos e isso passará, forçosamente, para os nossos familiares e colegas. É tão importante mobilizarmos os nossos recursos e isso é particularmente patente nas crianças quando usamos uma comunicação positiva! Mais facilmente estamos a contribuir para a autoconfiança, para a curiosidade, para a experimentação e para a perda de medos que impedem a potenciação das suas competências.
Gostava agora que aplicasses este modelo a objectivos que sintas como necessários, neste preciso momento. Para um pouco! Pratica e lembra-te que qualquer objectivo deve ser, na sua essência, um aliado e não um inimigo. Ajusta cada objectivo ao momento particular que estás a viver em casa ou no trabalho, actualiza sempre que necessário e saboreia cada passo que deres. E se não estiveres a conseguir por mais que tentes, respira e reformula sem hesitar. Todos cometemos erros e aprendemos com eles, faz parte da natureza humana.
Luis Gonçalves
Psicólogo Clínico e Psicoterapeuta

